2 de Julho de 2009 / às 13:41 / em 8 anos

Avião da Air France caiu inteiro no mar, diz investigação

Por Tim Hepher

<p>Foto de arquivo de um Airbus A330-200 semelhante ao que caiu no Oceano Atl&acirc;ntico ao partir do Rio de Janeiro. REUTERS/HO/Airbus</p>

PARIS (Reuters) - O avião da Air France que caiu no oceano Atlântico com 228 pessoas a bordo durante o trajeto Rio de Janeiro-Paris atingiu a água intacto e em alta velocidade, mas ficou seis horas desaparecido até que fosse declarada emergência, disse nesta quinta-feira a agência francesa responsável pela investigação das causas da tragédia.

Evidências dos destroços indicam que o avião caiu com a barriga para baixo e se partiu quando sofreu o impacto com a água.

“O avião não se destruiu enquanto estava em voo. Aparentemente ele atingiu a superfície da água na direção do voo e com uma aceleração vertical intensa”, disse Alain Bouillard, que lidera as investigações realizadas pela agência francesa BEA.

Um carrinho de comida foi encontrado no mar com suas prateleiras pressionadas na direção da base, o piso de uma área de descanso da tripulação estava deformado, e uma parte da cauda se soltou do restante da fuselagem -- todas indicações de que aconteceu uma violenta colisão com o oceano, disseram as autoridades.

O voo 447 da Air France caiu no mar após decolar do Rio de Janeiro no dia 31 de maio. As causas exatas do acidente ainda são desconhecidas.

Bouillard disse que o controle aéreo do voo deveria ter sido transferido das autoridades do Brasil para Senegal, mas que isso nunca aconteceu.

O investigador da França afirmou que os pilotos do voo tentaram três vezes realizar contato com um sistema de dados em Dacar, capital senegalesa, por satélite, mas não tiveram sucesso.

Somente pouco antes de 5h30 da manhã (horário de Brasília), mais de seis horas após uma série de mensagens enviadas automaticamente pelo avião reportando falhas técnicas, é que o avião foi oficialmente declarado perdido pela Espanha, cujo espaço aéreo seria atravessado pelo avião antes de chegar à França.

Perguntado se uma suposta falha no controle aéreo teria atrasado o início da operação de buscas, Bouillard respondeu: “Esse é um dos temas da nossa investigação. Por que tanto tempo entre o último contato via rádio e a declaração da emergência.”

COORDENAÇÃO

Autoridades de aviação afirmam que não é incomum para aviões ficarem sem contato por um determinado tempo enquanto atravessam áreas do oceano como o local onde o avião da Air France caiu, matando todas as 228 pessoas a bordo.

Mas a Força Aérea Brasileira (FAB) garantiu que a transferência Brasil-Dacar foi realizada e que as transcrições do procedimento foram inclusive enviadas ao BEA.

“O BEA fez uma interpretação preliminar de que talvez o Brasil não tivesse feito a passagem do controle aéreo para Dacar, mas isso foi feito sim”, disse à Reuters por telefone o tenente-coronel Henry Munhoz, porta-voz da FAB.

“Temos a transcrição disso, que inclusive foi mandada ao BEA. Temos a informação de que Dacar recebeu essa transferência”, acrescentou.

Autoridades do BEA disseram que o Brasil enviou uma “mensagem de coordenação” repassando detalhes básicos do progresso do avião, mas não enviaram uma segunda mensagem transferindo formalmente o controle da aeronave.

As diferenças sobre a transferência do controle são o segundo desentendimento entre as autoridades de Brasil e França após o pior acidente aéreo do mundo nos últimos oito anos.

O BEA também reiterou que a França ainda não teve acesso às autópsias dos 51 corpos resgatados do mar que estão sendo realizadas pelo Instituto Médico Legal do Recife, o que teria ajudado nas investigações.

O chefe da investigação afirmou ainda que as buscas pelas caixas-pretas do Airbus A330 vão continuar até 10 de julho. Os equipamentos emitem um sinal sonoro por um determinado período.

Depois disso, a França vai continuar a vasculhar o fundo do mar com sonares remotos até 15 de agosto.

Em comunicado, no qual disse ter acompanhado com especial atenção o primeiro relatório do BEA, a Air France afirmou que “ainda é primordial que se encontrem os registros de voo - as caixas pretas - que permitiriam conhecer as causas deste acidente”.

Segundo os investigadores, apesar do acidente, não há dados disponíveis que indiquem a necessidade de manter a frota de aviões Airbus A330 no solo.

Reportagens afirmaram depois do acidente que os sensores de velocidade, chamados tubos pitot, teriam repassado informações incoerentes, o que poderia ter afetado outros sistemas e causado a queda.

Outros problemas com sensores de velocidade de aviões A330 foram registrados desde então, incluindo em dois voos recentes nos Estados Unidos, mas as autoridades disseram que até o momento não houve qualquer registro de perda significante de altitude.

Familiares de vítimas do voo AF 447 disseram nesta quinta-feira que desejavam mais informações sobre as mensagens de erro enviadas pela aeronave nos últimos minutos do voo.

Reportagem adicional de Clement Guillou, em Paris, e Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro

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