23 de Novembro de 2009 / às 17:14 / 8 anos atrás

Serra cai e Dilma sobe ao lado do PMDB, diz pesquisa CNT-Sensus

Por Natuza Nery

<p>Ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff durante evento em Bras&iacute;lia 17/08/2009 REUTERS/Roberto Jayme</p>

BRASÍLIA (Reuters) - O pré-candidato mais cotado do PSDB para disputar as eleições do ano que vem, José Serra, vem caindo nas pesquisas de intenção de voto, mostrou nesta segunda-feira sondagem do Instituto Sensus encomendada pela Confederação Nacional do Transporte.

Dois possíveis fatores explicariam esse movimento, de acordo com o presidente da CNT, Clésio Andrade: a recusa de Serra em lançar-se oficialmente à sucessão de 2010 e o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com altos índices de rejeição.

“Há uma tendência de queda”, disse a jornalistas nesta segunda-feira Ricardo Guedes, diretor do Instituto Sensus.

Candidata do governo, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, avança. Há duas razões apontadas para isso: o acordo de aliança com o PMDB de Michel Temer, que deu a ela exposição maciça na mídia e a colocou mais ao centro do espectro ideológico, e o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O acordo com Temer daria viés mais centrista à candidatura.

Na principal lista apresentada ao entrevistado na pesquisa de novembro, Serra ficou com 31,8 por cento e Dilma com 21,7 por cento. Ciro Gomes (PSB-CE) aparece com 17,5 por cento e Marina Silva (PV-AC) com 5,9 por cento. Não há lista comparável com essa em apurações anteriores.

“Serra perdeu 15 pontos percentuais nos últimos 12 meses”, sustentou Guedes referindo-se ao patamar conquistado pelo pré-candidato em dezembro de 2008.

Naquele período, o tucano possuía 46,5 por cento, enquanto Dilma tinha 10,5 por cento. Neste cenário, constava, além de Serra e Dilma, a ex-senadora Heloisa Helena (PSOL), que não deve se lançar à sucessão. Como o quadro de candidatos mudou, não há como fazer uma comparação entre os números das duas pesquisas.

Os outros cenários apurados na sondagem deste mês mostram que a presença de Ciro no páreo ajuda a provocar um segundo turno e, conforme analistas do levantamento, tiraria mais votos de Serra que da ministra.

Na lista em que Ciro não aparece na disputa, Dilma cresce de 19,9 por cento em setembro para 23,5 por cento em novembro. Serra mantém seu capital, oscilando de 40,1 por cento para 40,5 por cento.

SEGUNDO TURNO

O governador de São Paulo vence em todas as simulações de segundo turno. Já Dilma só sai vitoriosa no cenário em que disputa com o governador mineiro Aécio Neves (PSDB). Ele e José Serra concorrem pela indicação do partido. Não há simulação de 2o turno entre ela e Marina Silva.

Na simulação espontânea, exercício em que o entrevistado diz o nome de seu candidato sem auxílio de nenhuma lista, Lula tem o maior número de votos, 18,1 por cento, apesar de não ser candidato. Serra aparece em segundo lugar (8,7 por cento) e Dilma (5,8 por cento) fica bem próxima ao virtual adversário.

Clésio Andrade, mineiro e amigo de Aécio Neves, pintou condições bastante favoráveis a seu conterrâneo, de quem foi vice-governador do Estado no primeiro mandato.

Apesar de presidente da confederação, ele raramente participa da divulgação da pesquisa periódica, mas disse não se sentir constrangido em “poder falar positivamente do Aécio e negativamente de outros candidatos”.

“Até porque já fizemos críticas passadas”, disse, para, em seguida, dar seu palpite sobre as próximas pesquisas: “Aécio e Dilma devem crescer”.

CHAPAS

A sondagem apurou as dobradinhas com candidatos a vice-presidente. Uma chapa Serra-Aécio --hipótese considerada cada vez mais remota-- teria 35,8 por cento de intenção de voto, enquanto a chapa Dilma-Temer teria 23,9 por cento.

No cenário em que o governador de Minas é o candidato do PSDB e encabeça chapa com Ciro Gomes na vice, a dobradinha Dilma-Temer perde de 32,4 por cento enquanto o segundo, 26,6 por cento.

Apesar disso, os números mostram que Dilma fica mais competitiva ao lado de Temer, com percentuais maiores quando estão juntos do que em relação às intenções de voto que ela recebe individualmente.

“A chapa dela com Temer aumenta o percentual de voto para Dilma do que teria se estivesse sozinha”, afirmou Guedes. “A tendência do eleitorado brasileiro hoje é centrista. O pacto centrista pune os extremos”, explicou.

Questionado se, a partir dessa premissa, considerava José Serra mais à esquerda que Dilma, ele não respondeu.

CABO ELEITORAL

Para a CNT, o potencial de Lula em transferir votos é, em parte, o que vem dando musculatura a Dilma Rousseff. Já o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é apontado na sondagem como um péssimo cabo eleitoral e um dos motivos pela queda de Serra.

Na comparação entre os dois governos, 76 por cento dos entrevistados dizem que o de Lula é melhor que o de Fernando Henrique.

O potencial de transferência de votos aferido na sondagem é de 51,7 por cento para Lula e 17,2 por cento para Fernando Henrique. O quadro é ainda mais dramático para o ex-presidente quando se mede quem não votaria num candidato apoiado por ele: 49,3 por cento.

A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre os dias 16 e 20 de novembro com 2.000 entrevistados em 136 municípios. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.

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