ESPECIAL-Amazônia espera por pacto global forte para o clima
Por Stuart Grudgings
BOA FRENTE, Amazonas (Reuters) - O barco avança pelo rio de água esverdeada e leva José de Oliveira Quadro numa viagem que poderia ter sido inútil alguns anos atrás.
Desconhecidos estavam pescando no lago de seu vilarejo e Quadro percorre duas horas de viagem para buscar ajuda no posto policial mais próximo dentro da Floresta Amazônica. Ele admite que provavelmente não se daria a esse trabalho antes de a comunidade ribeirinha ser incluída num projeto pioneiro que paga a cada família 50 reais por mês para que atuem como guardiões da floresta.
"Não posso deixar que eles tirem a comida de nossos pratos", disse o homem de 35 anos. "Graças a Deus temos mais ajuda hoje em dia."
A viagem de Quadro é parte de um novo capítulo na longa batalha para salvar a maior floresta do mundo, considerada central aos esforços em Copenhague no mês que vem para desenhar um novo pacto global a fim de conter o aquecimento do planeta.
Seu minúsculo assentamento é uma das 36 comunidades e das 320 famílias que recebem o pagamento na reserva do Juma, no primeiro projeto do governo para redução de emissões na Amazônia.
Os projetos dentro do REDD -- sigla para Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação, que permite a venda de créditos para compensar a poluição de carbono de outro lugar - são poucos e escassos. Mas um acordo climático incluindo o REDD poderia ser um instrumento poderoso para reduzir o desmatamento, responsável por até 20 por cento das emissões de carbono mundiais -- mais do que todos os carros, navios e aviões do mundo inteiro somados.
"O mundo precisa entender que temos feito a nossa lição de casa, valorizando a floresta o máximo possível, testando boas práticas, e agora precisamos de uma resposta ou a população acabará pressionando a floresta para sobreviver", disse à Reuters o governador do Amazonas, Eduardo Braga.
Versado nas minúcias das conversações sobre o clima global, Braga é a nova face de um Estado cujo governo anterior distribuía motosserras a madeireiros. Continuação...

