EUA mobilizam tropas e ajuda humanitária ganha força no Haiti

terça-feira, 19 de janeiro de 2010 20:33 BRST
 

Por Tom Brown e Joseph Guyler Delva

PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - Helicópteros Black Hawk dos Estados Unidos pousaram nesta terça-feira no terreno do devastado Palácio Presidencial haitiano para desembarcar tropas e suprimentos, enquanto uma enorme operação humanitária para ajudar as vítimas do terremoto de terça-feira passada finalmente ganhava um ritmo mais acelerado.

Uma vez em terra, os soldados se mobilizaram para proteger o vizinho Hospital Geral, cujos funcionários estão sobrecarregados pelo enorme número de feridos graves. Vendo o desembarque, sobreviventes acampados no parque em frente ao palácio correram até as cercas metálicas do local para observar e implorar alimentos.

Foi a mobilização mais visível e, talvez, a mais importante até agora dos militares dos Estados Unidos, envolvidos nos esforços internacionais para ajudar milhões de haitianos que ficaram feridos ou desabrigados por causa do tremor de magnitude 7,0.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, principal crítico de Washington na América Latina na atualidade, acusou os EUA de ocuparem o Haiti sob pretexto de prestarem ajuda.

O comandante das forças norte-americanas no Haiti, general Ken Keen, disse que o principal objetivo das tropas é prestar assistência humanitária e entregar água e comida, mas que também há um elemento de segurança na operação.

Vendo o desembarque das tropas, o sobrevivente Gille Frantz disse: "Sabemos que o mundo quer nos ajudar, mas já faz oito dias (na verdade, sete) e não vi nenhuma comida ou água para a minha família."

Uma multidão de haitianos também se aglomerava em frente à embaixada dos Estados Unidos, nas imediações do Batalhão Brasileiro (Brabatt). Mulheres com crianças de colo se escoravam sobre malas em uma fila que parecia não ter fim.

As portas da embaixada estavam fechadas, e alguns soldados guardavam o prédio. Havia ambulantes em volta vendendo água e batatas. Ninguém reclamava. Havia apenas o silêncio da espera.   Continuação...

 
<p>Tendas de v&iacute;timas do tremor s&atilde;o instaladas em frente ao Pal&aacute;cio Presidencial do Haiti, detru&iacute;do pelo terremoto, em Porto Pr&iacute;ncipe. Opera&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria para ajudar os afetados pelo terremoto ganhou ritmo acelerado. REUTERS/Hans Deryk</p>