24 de Setembro de 2010 / às 01:24 / em 7 anos

Petrobras levanta R$120,36 bi em maior oferta do mundo

Por Marcelo Teixeira e Cesar Bianconi

<p>Vista a&eacute;rea da plataforma de petr&oacute;leo da Petrobras P-52 no Rio de Janeiro. A estatal arrecadou 120,36 bilh&otilde;es de reais com sua oferta prim&aacute;ria de a&ccedil;&otilde;es ordin&aacute;rias e preferenciais, informou a companhia em registro na Comiss&atilde;o de Valores Mobili&aacute;rios na quinta-feira. 28/11/2007 REUTERS/Bruno Domingos</p>

SÃO PAULO (Reuters) - A Petrobras arrecadou 120,36 bilhões de reais em sua mega oferta de ações, a maior já realizada no mundo, garantindo recursos para a exploração do pré-sal e assumindo um lugar central no mercado financeiro global.

A petroleira brasileira atraiu forte interesse de investidores de diversos lugares, incluindo fundos soberanos de países na Ásia e no Oriente Médio, segundo uma fonte. A demanda total na operação chegou a 140 bilhões de dólares, o dobro dos 70 bilhões de dólares apurados na capitalização, de acordo com o câmbio atual.

É de longe a maior operação do tipo já realizada, ultrapassando a emissão da empresa de telecomunicações japonesa NTT, que movimentou 36,8 bilhões de dólares em 1987 e até agora era considerada a maior oferta de ações do mundo.

O sucesso da capitalização da Petrobras, negócio que se arrastou por meses e que pesou sobre o valor das ações da empresa no mercado neste ano, inaugura um período considerado positivo por analistas para a companhia a partir de agora, já que ela poderá focar sua atenção no desenvolvimento das enormes jazidas na bacia de Santos.

“A expectativa é que, bem ou mal, o fim do processo de capitalização deixe a empresa livre para andar com os fundamentos dela. Esse é o grande alívio”, afirmou o analista de uma corretora de grande porte em São Paulo, que pediu para não ser identificado.

A empresa precificou as novas ações ordinárias em 29,65 reais cada, enquanto as preferenciais saíram a 26,30 reais, segundo informações disponíveis no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no final da noite de quinta-feira. Mais cedo, uma fonte a familiarizada com a operação havia informado esses valores à Reuters.

Os preços ficaram ligeiramente abaixo dos registrados pelas ações da empresa já negociadas na Bovespa. Nesta quinta-feira, as ordinárias encerraram a 30,25 reais e as preferenciais a 26,80 reais na bolsa paulista.

Foram vendidos um total de 4,27 bilhões de novas ações, das quais 2,4 bilhões ordinárias, que dão direito a voto, e 1,87 bilhão de preferenciais. Os números indicam que o lote adicional foi parcialmente exercido.

O prospecto da operação considera ainda um lote suplementar de até 188 milhões de ações, opção que poderá ser exercida pelo Morgan Stanley em um período de 30 dias a depender da demanda.

Investidores estrangeiros durante a quinta-feira já consideravam a oferta um êxito e atribuíam o grande interesse global no volume de petróleo que a empresa tem em mãos.

“É pelo tamanho total das reservas”, afirmou Edward Maran, gestor de ativos na Thornburg Investment Management, em Santa Fe, New Mexico, quando questionado do porquê da atenção do mercado ao negócio.

“Essas reservas de petróleo (da Petrobras) são consideravelmente melhores do que empresas nos Estados Unidos podem oferecer”, afirmou Marc Fogassa, gestor associado na Hedgefort Capital Management, em Pasadena, Califórnia, e também acionista da empresa. “As pessoas sabem que é um bom ativo a um preço com desconto.”

PERTO DA EXXON

Com os grandes campos no pré-sal, analistas consideram que o total de reservas provadas da Petrobras poderá em breve alcançar ou mesmo ultrapassar as da norte-americana Exxon Mobil, a maior petroleira listada em bolsa, com 23 bilhões de barris em reservas provadas.

“A empresa tem perspectivas positivas porque tem o que nenhuma outra empresa tem no mundo: novas reservas”, disse um analista de um dos bancos participantes da oferta.

A Petrobras prepara um grande evento na Bovespa na sexta-feira para marcar a capitalização. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem propagado a grandiosidade do negócio nos últimos dias, comparecerá.

“Diante da minha vida política toda, dizendo que eu era socialista, agora vou fazer a maior capitalização que o mundo capitalista já conheceu”, afirmou Lula nesta semana. “Não será menos do que 70 bilhões de dólares”, disse o presidente nesta quinta-feira em Maringá, no Paraná, revelando inadvertidamente o valor total da operação.

Mas existem críticas sobre o excessivo peso do governo na emissão de ações da Petrobras.

A União, que dispunha de 74,8 bilhões de reais para participar da oferta, resultado da cessão de 5 bilhões de barris de petróleo para a Petrobras, deverá elevar sua participação no capital da companhia, hoje em torno de um terço do total.

Detalhes sobre como ficou a alocação das novas ações ainda não foram revelados, impedindo que se saiba no momento qual será a fatia do governo na empresa quando encerrada a capitalização.

“Tem tanto dinheiro público que é a capitalização menos capitalista da história”, afirmou Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura.

O grande volume de novas ações emitido pela petroleira estatal vai começar a ser negociado na próxima segunda-feira, na Bovespa.

O Bradesco BBI, banco de investimento do Bradesco, é o coordenador-líder da capitalização da Petrobras. Bank of America Merrill Lynch, Citigroup, Santander, Morgan Stanley e Itaú BBA, banco de atacado do Itaú Unibanco, são os coordenadores da oferta global.

Reportagem de Denise Luna, Guillermo Parra-Bernal; Elzio Barreto e José de Castro

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