13 de Abril de 2011 / às 17:06 / em 7 anos

Brics condenam uso da força no Oriente Médio e norte da África

<p>Presidente Dilma Rousseff se re&uacute;ne com o premi&ecirc; chin&ecirc;s, Wen Jiabao, em Pequim. 13/04/2011 REUTERS/Minoru Iwasaki/Pool</p>

Por Ben Blanchard e Ray Colitt

SANYA, China (Reuters) - Líderes de cinco das maiores economias emergentes do mundo, reunidos em uma cúpula nesta quinta-feira, vão rejeitar o uso da força no Oriente Médio e norte da África, pedindo em lugar disso o diálogo e a não intervenção, segundo um rascunho de declaração.

Os países do grupo chamado Brics -- Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul -- também vão pedir o desenvolvimento dos mercados físicos para reduzir a volatilidade dos preços das commodities, além de reivindicar uma participação maior dos países em desenvolvimento nos fóruns multilaterais.

No contexto do Oriente Médio e do norte da África, especificamente a Líbia, os Brics “compartilham o princípio de que deve ser evitado o uso da força”, segundo o rascunho de declaração, ao qual a Reuters teve acesso.

China, Rússia, Índia, Brasil e outros países em desenvolvimento condenaram os ataques aéreos liderados pelos EUA contra as forças líbias.

A África do Sul, por outro lado, votou em favor da resolução da Organização das Nações Unidas que autorizou os ataques. Contudo, durante visita que fez a Trípoli no domingo, o presidente sul-africano, Jacob Zuma, pediu que a Otan suspenda os ataques aéreos.

A cúpula dos Brics, que terá lugar no balneário de Sanya, no sul da China, vai proporcionar às grandes economias emergentes do mundo um espaço para coordenar seus pontos de vista sobre reformas econômicas globais, preços de commodities e outros temas de interesse comum.

Ministros de Comércio dos cinco países não deram sinais, na quarta-feira, de estarem dispostos a fazer concessões para romper um impasse nas negociações que visam a abertura do comércio global, que já duram uma década.

DOHA

Desde que chegou muito perto de um avanço real, em 2008, a rodada de Doha de negociações, que está sendo conduzida sob a égide da Organização Mundial do Comércio (OMC), tem feito poucos avanços.

Entre as principais razões do fracasso das negociações estiveram a recusa dos Estados Unidos e outros países ricos em reduzir mais seus subsídios agrícolas e a recusa dos países em desenvolvimento, liderados pela Índia, em aumentar o acesso ocidental a seus mercados de bens e serviços.

Reunidos na véspera da cúpula dos Brics, ministros comerciais do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul -- esta a nova integrante do Brics -- demonstraram pessimismo quanto às perspectivas das negociações comerciais.

“O delicado equilíbrio de trocas alcançado ao longo de dez anos de negociações e contido no texto provisório de 2008 corre o risco de ser perturbado”, disseram os ministros em comunicado à mídia.

Líderes do Grupo das 20 economias avançadas e em desenvolvimento declararam em novembro que havia uma janela estreita de oportunidade para concluir a rodada de negociações em 2011. Vários membros chaves da OMC, incluindo os EUA e a França, terão eleições em 2012.

Os EUA disseram no mês passado que as grandes economias emergentes precisam criar a coragem política necessária para abrir seus mercados. Mas, ao endossar o acordo provisório redigido em 2008, os Brics sugeriram que cabe ao Ocidente ceder.

COOPERAÇÃO

O Ministério do Comércio chinês disse que o encontro também pediu uma coordenação global melhor da política econômica, com vistas a apoiar a recuperação mundial e alcançar crescimento equilibrado e forte.

O peso econômico do grupo Brics vem crescendo, à medida que o mundo em desenvolvimento se esforça para reduzir sua dívida e que os cinco países do grupo começam a operar como bloco comum no G20, funcionando como contraponto aos EUA e outras potências tradicionais.

Como parte do esforço para intensificar o comércio e os investimentos entre eles, na quinta-feira está previsto que os líderes dos Brics assinem um acordo para ampliar as linhas de crédito mútuas que não operam em dólares, mas nas moedas locais dos Brics, segundo relatos na mídia indiana.

“Para seu crescimento e desenvolvimento futuro, os países Brics precisam intensificar o comércio entre eles”, disse Lin Yueqin, pesquisador da Academia Chinesa de Ciências Sociais, em Pequim.

Lin observou que o comércio entre China e Rússia, por exemplo, é inferior a 60 bilhões de dólares por ano, uma fração apenas dos 200 bilhões de dólares do comércio entre China e Coreia do Sul.

Ele disse que o grupo, que está realizando apenas sua terceira cúpula anual, ainda tem um longo caminho a percorrer antes que possa equiparar-se ao Grupo das Sete economias avançadas.

“Os Brics são mais um símbolo de cooperação que um grupo para ações conjuntas. Mas, como é o caso com tudo, sem um início humilde não é possível ter um futuro grandioso”, disse Lin.

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