Investigação aponta falhas de treinamento no voo AF447
Por Alexandria Sage e Tim Hepher
PARIS, 5 Jul (Reuters) - Um erro do piloto, sensores com defeito, treinamento inadequado e supervisão ineficiente se combinaram para derrubar um avião da Air France no meio do Atlântico em 2009 no pior desastre da companhia aérea, disseram investigadores franceses nesta quinta-feira.
O relatório final sobre a queda do Airbus A330 que fazia o voo Rio-Paris com 228 pessoas a bordo foi além da esperada recriminação às regras da segurança aérea ao dizer que a Air France estava sujeita a menos inspeções que os seus rivais menores.
A autoridade de investigação francesa BEA fez 25 recomendações, inclusive a de melhorar o treinamento aos pilotos, instrutores e inspetores, e fazer mudanças nas cabines dos pilotos.
O relatório manteve as conclusões iniciais de que os tripulantes do voo AF447 se equivocaram na resposta aos erros na indicação de velocidade do avião, em decorrência da formação de gelo nos sensores instalados na parte externa, na noite de 31 de maio para 1o de junho de 2009.
Diante de repetidos alarmes, pilotos fizeram manobras que levaram o avião a perder sustentação aerodinâmica e mergulhar durante quatro minutos na escuridão, conforme mostrou a caixa-preta recuperada dois anos depois do acidente.
"Este acidente resulta de um avião ser tirado do seu ambiente operacional normal por uma tripulação que não entendeu a situação", disse o diretor da BEA, Jean-Paul Troadec.
Ele acrescentou, porém, que a mesma situação poderia ter ocorrido com outra tripulação.
O relatório também concluiu que os sensores de velocidade do A330, conhecidos como tubos de Pitot e projetados pela empresa francesa Thales, só foram modernizados depois do desastre, embora já tivessem ocorrido acidentes anteriores com o equipamento. Continuação...

