ENTREVISTA-Sanções ao Irã limitam exportações de grãos do Brasil

sexta-feira, 6 de julho de 2012 16:37 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 6 Jul (Reuters) - As exportações de milho, soja e produtos derivados do Brasil ao Irã estão sofrendo os efeitos das sanções internacionais ao país islâmico, com alguns bancos temendo se envolver nas operações financeiras para o fechamento das vendas.

Isso acaba limitando o potencial dos embarques brasileiros ao Irã, disse nesta sexta-feira um alto executivo de setor exportador.

O Irã tem aparecido nos últimos anos como o maior comprador de milho do Brasil e também figura entre os maiores compradores de soja em grão, farelo e óleo.

"O embargo internacional não cobre alimentos, o produto deveria estar livre, mas o que está acontecendo é que os bancos brasileiros ficam temerosos de ter retaliação de bancos estrangeiros, com os quais mantêm acordo. Isso está limitando os negócios...", disse à Reuters o diretor-geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes.

A afirmação foi feita justamente no momento do ano em que tradicionalmente as exportações de milho do Brasil ganham força.

O Irã, maior importador do cereal do Brasil em 2011, comprou 1,9 milhão de toneladas do grão do país no ano passado, o equivalente a 20 por cento das exportações brasileiras, que atingiram ao todo 9,5 milhões de toneladas.

Ainda que os embarques de alimentos não estejam incluídos nas sanções do Ocidente, que visam a interromper o programa nuclear do Irã, as restrições financeiras congelaram a capacidade de companhias iranianas de atuar em grande parte do sistema bancário global -as medidas internacionais contra o país islâmico, em tese, deveriam focar os negócios com o petróleo do Irã, seu principal produto.

"O Brasil está exportando pouco ao Irã, o volume (de grãos e derivados) poderia ser muito maior", disse Mendes, estimando que as exportações desses produtos no ano ao país devem somar cerca de 800 milhões de dólares, mas poderiam fechar 2012 em 2,5 bilhões de dólares.   Continuação...