Presidente egípcio quer negociação na crise parlamentar
Por Edmund Blair e Marwa Awad
CAIRO, 11 Jul (Reuters) - O presidente islâmico do Egito disse nesta quarta-feira que deseja estabelecer um diálogo com o Judiciário e com os poderes políticos para resolver a crise em torno da sua tentativa de reinstaurar o Parlamento que havia sido dissolvido no mês passado pela junta militar, com base em uma decisão da Suprema Corte.
A declaração do presidente Mohamed Mursi parece representar um pedido de trégua para evitar que a crise, menos de duas semanas após o início do seu mandato, descambe para um confronto aberto com a cúpula militar ou com os juízes.
A polêmica sobre o Parlamento é parte de uma disputa mais ampla pelo poder no mais populoso país árabe, contrapondo a Irmandade Muçulmana, de Mursi, aos poderosos militares e aos remanescentes do regime de Hosni Mubarak, deposto no ano passado.
"Haverá consultas entre todas as forças políticas, instituições e o conselho supremo de autoridades judiciais para encontrar a melhor forma de sair dessa situação, a fim de superarmos juntos este estágio", disse Mursi em nota.
A Suprema Corte dissolveu o Parlamento em 14 de junho, às vésperas da eleição de Mursi, por entender que ela foi eleita seguindo leis inconstitucionais. A junta militar que então governava o país cumpriu a ordem judicial e dissolveu o Parlamento, dominado por políticos islâmicos.
Após a sua posse, Mursi reconvocou o Parlamento, que se reuniu na terça-feira, mas uma nova sentença judicial reafirmou sua dissolução horas depois.
Mursi é o primeiro presidente em seis décadas de república egípcia a não ter origem militar, e seus primeiros dias no cargo prenunciam uma situação de confronto, algo que desagrada aos Estados Unidos, país que dá 1,3 bilhão de dólares em assistência militar ao Egito anualmente.
O presidente disse na nota que está "comprometido com as decisões dos juízes egípcios e muito interessado em gerir os poderes estatais e evitar qualquer novo confronto." Continuação...

