Petição contra voto fatiado no mensalão é rejeitada

segunda-feira, 20 de agosto de 2012 21:00 BRT
 

BRASÍLIA, 20 Ago (Reuters) - Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitaram uma petição apresentada nesta segunda-feira por advogados de defesa na ação penal do chamado mensalão contra o fatiamento da votação do processo, chamado pelos advogados de "segmentação alienígena".

A decisão foi tomada no final da sessão de segunda e o argumento do presidente da casa, Ayres Britto, foi de que a discussão era "matéria vencida".

O ministro relator da ação penal, Joaquim Barbosa, que propôs a forma fatiada de votação, também reagiu à polêmica gerada pela metodologia de leitura do voto após a sessão.

"É uma grande bobagem. Vocês perceberam, é um 'no issue', é assunto nenhum. É falta de assunto... Criou-se uma polêmica e eu me permiti dar boas risadas no final de semana", disse ele ao comentar reportagens sobre divergências entre eles e outros ministros no tribunal.

"O que eu quero dizer para vocês é: fica melhor assim ou faria sentido eu ficar aqui dias e dias lendo 1.200 páginas, para depois criar problemas no final?", questionou.

O ministro se irritou, inclusive, com a repercussão do assunto na imprensa. "Há muita intolerância neste país e para alguns periódicos deste pais incomoda muito minha presença neste tribunal."

A entrega da petição foi feita pelos advogados José Carlos Dias e Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. Eles foram recebidos por um assessor do presidente da Corte, que a leu durante o intervalo da tarde.

A petição, capitaneada pelos advogados de São Paulo, entre eles o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, que representa o ex-executivo do Banco Rural José Roberto Salgado, reclamava que o formato de votação adotado, que apresentou na semana passada resistência de ministros da Corte, vai contra o "devido processo legal" e é uma "aberração".

A petição menciona também o que os advogados consideram ser privilégios do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que representa a acusação e, portanto, deveria estar no mesmo patamar que as defesas. Citaram que Gurgel recebeu o voto parcial lido pelo relator ao mesmo tempo que os demais ministros, enquanto a defesa só teve acesso ao voto horas mais tarde.   Continuação...

 
Juiz Joaquim Barbosa comparece à sessão de julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. Advogados de defesa de réus na ação penal do chamado mensalão protocolam no gabinete do presidente do STF, Ayres Britto, uma petição contra o fatiamento da votação do processo, formato proposto pelo relator, ministro Joaquim Barbosa. 02/08/2012 REUTERS/Ueslei Marcelino