Indefinição em portos afeta investimento, diz Bunge

sábado, 22 de setembro de 2012 15:03 BRT
 

CAMPINAS, 22 Set (Reuters) - Indefinições do governo sobre a renovação de concessões de terminais portuários privados, que vencem ao final do ano, atuam como um limitador de investimentos por parte das empresas, disse neste sábado o presidente da Bunge, Pedro Parente, durante seminário em Campinas.

"Há concessões portuárias que vão vencer no final do ano, e você não sabe o que vai acontecer, o governo não divulgou... É extremamente difícil de investir", afirmou Parente, que comanda a unidade brasileira da multinacional do agronegócio, uma das principais exportadoras do Brasil.

Segundo ele, são necessárias regras claras para o empresariado realizar os investimentos.

"Se a gente tiver que aumentar o investimento, o quadro geral, o estímulo, precisa mudar", declarou. "Há investimentos para serem feitos em portos e, dada a indefinição, o empresário não se anima a fazer."

Gargalos para o escoamento de produtos nos portos são um dos principais problemas do setor agrícola do Brasil, bastante competitivo no campo, mas que sofre com problemas históricos de infraestrutura.

Em tempos de safra recorde, como os atuais, em meio a preços agrícolas oscilando perto de patamares recordes, esses gargalos dificultam ainda mais a situação do setor.

A fila de espera de navios nos portos, em função da falta de capacidade dos terminais para atender a demanda para exportação de grãos e produtos como açúcar, tem sido grande recentemente. São dezenas de navios aguardando para atracar, lembrou Parente, o que atrasa as operações e gera prejuízos para as empresas.

CASO DA BUNGE

Em entrevista a jornalistas após a palestra, Parente comentou que a Bunge explora concessões portuárias e que a empresa "realmente tem a preocupação de que a maior antecipação possível seja dada" pelo governo para que a companhia possa programar investimentos.   Continuação...

 
Um navio de contêineres chega ao porto de Santos. Indefinições do governo sobre a renovação de concessões de terminais portuários privados atuam como um limitador de investimentos por parte das empresas, disse o presidente da Bunge, Pedro Parente. 20/09/2012 REUTERS/Nacho Doce