5 de Novembro de 2012 / às 11:44 / 5 anos atrás

Abismo fiscal dos EUA e crise da dívida europeia preocupam G20

Ministro das Finanças do México, José Antonio Meade, participa de coletiva de imprensa durante encontro do G20 na Cidade do México. As principais economias do mundo pressionaram os Estados Unidos no domingo para agir decisivamente a fim de evitar uma série de cortes de gastos e aumentos de impostos, alertando que o chamado abismo fiscal é a maior ameaça ao crescimento global no curto prazo. 04/11/2012Edgard Garrido

Por Krista Hughes e Julien Toyer

CIDADE DO MÉXICO, 5 Nov (Reuters) - As principais economias do mundo pressionaram os Estados Unidos no domingo para agir decisivamente a fim de evitar uma série de cortes de gastos e aumentos de impostos, alertando que o chamado abismo fiscal é a maior ameaça ao crescimento global no curto prazo.

A menos que o dividido Congresso norte-americano consiga agir rapidamente para chegar a um acordo depois das eleições de terça-feira, cerca de 600 bilhões de dólares em cortes de gastos do governos e em impostos mais altos terão início em 1o de janeiro e podem levar a economia norte-americana de volta à recessão.

"Se os Estados Unidos não conseguirem resolver o abismo fiscal, isso irá atingir fortemente a economia norte-americana, assim como a economia mundial e japonesa, portanto cada país do G20 irá pedir que os Estados Unidos lide firmemente com isso", afirmou o presidente do Banco do Japão, banco central do país, Masaaki Shirakawa, antes do encontro entre ministros das Finanças e membros de bancos centrais das 20 principais economias do mundo.

Com uma disputada eleição presidencial na terça-feira, assim com as eleições para o Congresso, tem havido um atraso nas ações a fim de evitar o abismo fiscal e há incertezas sobre se o Congresso pode chegar a um acordo.

Delegados europeus na reunião do G20 na Cidade do México estavam particularmente ansiosos por detalhes do plano norte-americano, de acordo com aqueles que participaram das negociações preliminares.

O ministro das Finanças do Canadá, Jim Flaherty, disse que em termos de riscos de curto prazo ao cenário econômico global, o abismo fiscal dos Estados Unidos ultrapassava a crise da dívida europeia.

"Eles podem não lidar com isso até a 11a hora e o 55o minuto, mas eu espero que eles o farão assim como lidaram com seus bancos em 2008", disse ele a repórteres.

O ministro das Finanças da Coreia do Sul, Bahk Jae-wan, prevê que a economia global pode sofrer durante o primeiro trimestre de 2013 por causa das incertezas sobre o abismo fiscal.

Entretanto, ele estava muito otimista de que o Congresso conseguirá achar alguma resolução, dizendo à Reuters: "Eu acho que, comparado à crise da zona do euro, o abismo fiscal é uma questão muito mais simples de resolver."

A crise do euro, que começou há mais de dois anos, viu um alívio depois que o Banco Central Europeu (BCE) informou em setembro que estava pronto para comprar mais dívida governamental. Mas os investidores estão agitados sobre quando e se a Espanha irá pedir um resgate internacional e como os profundos problemas financeiros da Grécia podem ser resolvidos.

Um esboço do comunicado que está sendo preparado pelas autoridades do G20 afirmou que há riscos elevados à economia global, incluindo a crise da Europa e potenciais problemas no Japão.

"O crescimento global continua modesto e os riscos permanecem elevados, inclusive devido a possíveis atrasos na complexa implementação de anúncios recentes de políticas na Europa, um potencial aperto fiscal acentuado nos Estados Unidos e no Japão, crescimento mais fraco em alguns mercados emergentes e choques adicionais de oferta em alguns mercados de commodities", mostrou o esboço, de acordo com uma fonte do G20.

O comunicado final será publicado depois que as negociações terminarem nesta segunda-feira.

Reportagem adicional da equipe do G20 na Cidade do México

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