ENTREVISTA-Governo deve adotar metas de longo prazo para economia--Pimentel

segunda-feira, 5 de novembro de 2012 17:59 BRST
 

Por Luciana Otoni e Alonso Soto e Anthony Boadle

BRASÍLIA, 5 Nov (Reuters) - O governo da presidente Dilma Rousseff deve fixar no próximo ano metas econômicas de longo prazo, como expansão do Produto Interno Bruto e do PIB per capita, para dar maior previsibilidade ao investimento produtivo, disse à Reuters o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel.

Essas metas, que seriam estabelecidas para prazos de cinco e 10 anos, serviriam para balizar os investimentos, em um momento de grave crise e baixo crescimento econômico mundial.

"Vamos atravessar o período de crise, vamos sair dela melhor do que entramos e vamos colocar metas ambiciosas. A presidente vai chamar vocês lá no ano que vem e vai colocar metas para cinco e 10 anos, metas para crescimento, PIB", disse o ministro Pimentel na noite de quinta-feira, antes de embarcar para o Japão para uma agenda de encontros com empresários e autoridades do país asiático.

"Temos segurança jurídica, temos solidez fiscal e somos um dos poucos países que podem fazer isso", acrescentou.

Questionado sobre se a inflação constaria entre essas metas, o ministro evitou dar mais detalhes de como seriam fixadas ou mesmo alcançadas esses objetivos, informando apenas que os parâmetros abrangerão um número limitado de variáveis.

O Brasil adotou em 1999 uma política econômica baseada no regime de metas para a inflação, ajuste fiscal, com meta para o superávit primário do setor público, e câmbio flutuante.

O Banco Central é o responsável por manter a inflação dentro da meta, que está fixada para este e até 2014 em 4,5 por cento, com margem de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Pelo menos formalmente, o BC não tem outras metas a alcançar, como crescimento econômico ou taxa de emprego.

Pimentel explicou que o objetivo de se criar novos alvos é aproveitar a janela de oportunidade aberta pela crise externa, e a situação mais favorável do Brasil em comparação a outros países, para melhorar o posicionamento no País no cenário internacional, além de abrir caminho para maior previsibilidade às decisões de investimento.   Continuação...

 
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, fala em coletiva de imprensa em Montevidéu, no Uruguai. 5/09/2012 REUTERS/Andres Stapff