7 de Novembro de 2012 / às 10:43 / 5 anos atrás

ANÁLISE-Vitória deixa Obama em condições de expandir alcance do Estado

Homem deixa a Times Square depois de assistir ao discurso de vitória do presidente reeleito Barack Obama em Nova York. 07/11/2012 REUTERS/Andrew Kelly

Por David Lindsey

WASHINGTON, 7 Nov (Reuters) - Os dois lados a descreveram como uma disputa pela Casa Branca que definiria uma geração: uma escolha entre o tipo de ativismo governamental do democrata Barack Obama e o compromisso de Mitt Romney em reduzir o papel do governo federal na vida diária dos norte-americanos.

A vitória de Obama, no entanto, não dirimiu a questão. Em vez disso, a difícil batalha pela Casa Branca expôs um eleitorado profundamente dividido por raça, idade e partido. As eleições de terça-feira --nas quais os republicanos mantiveram o controle da Câmara e os democratas de Obama, o do Senado-- sugeriram que um partidarismo feroz permanecerá forte em Washington no próximo ano.

Também revelaram que não houve um apoio amplo para questões muito além dos objetivos compartilhados de melhorar a economia e reduzir a dívida governamental. Isso significa que adotar novas e ousadas iniciativas comparáveis à reforma do sistema de saúde, a regulamentação financeira e programas de estímulo econômico será bem mais complicado para o Obama 2012 do que foi para o Obama 2008.

Mesmo assim, Obama - agora livre por não ter de enfrentar os eleitores novamente --está em posição de cumprir uma agenda ambiciosa que poderia deixar a sua marca no governo por uma geração ou além, incluindo uma medida para reformar as leis imigratórias do país.

Alguns analistas acreditam que Obama deve passar grande parte de seu segundo mandato “preso nas façanhas do seu primeiro mandato”, incluindo garantir que “teremos um sistema de saúde nacional eficaz”, avalia Cal Jillson, professor de ciência política da Southern Methodist University, em Dallas.

Para muitos, isso já seria suficiente para garantir a ele um lugar na história. “Apenas reeleger Obama significa que a lei que reformulou o sistema de saúde dos EUA, o Affordable Care Act, continuará a ser implementada, e isso é muito importante porque se trata de uma das peças mais importantes da legislação em meio século”, disse Theda Skocpol, cientista político na Universidade de Harvard, referindo-se à lei que ajuda a estender a cobertura de saúde a milhões de norte-americanos sem plano De saúde.

“A maior parte da ação vai ocorrer entre a administração do presidente e os Estados, e minha aposta é a de que muitos governadores republicanos acharão maneiras de aceitar partes da expansão do Medicare”, disse Skocpol.

UM IMPULSO DO RESGATE? Em pelo menos um aspecto, o resultado das eleições de terça-feira justificou a crença de Obama em um governo mais ativo. Ao apoiar o resgate federal de US$ 85 bilhões para a indústria automobilística em 2009, uma medida que não foi popular na época, Obama pode ter ajudado a salvar não apenas a indústria, mas sua Presidência.

O resgate do setor automobilístico - e os ataques da campanha de Obama a Romney por sua oposição a ele - parecem ter sido fatores-chave na vitória do presidente na batalha crucial no Estado de Ohio, onde 1 em cada 8 empregos está ligado à indústria automobilística.

Analistas políticos e estrategistas esperam que a agenda do segundo mandato de Obama tenha gastos federais maiores com educação, empregos e programas de energia. Mas tal agenda será dificultada pela dívida governamental de US$ 16 trilhões e o iminente “abismo fiscal” - um aumento de impostos no valor de US$ 600 bilhões programado para entrar em vigor com cortes obrigatórios de gastos no início do ano novo, a menos que Obama e o Congresso cheguem a um acordo sobre uma redução do déficit.

O comprometimento de Obama com a reforma imigratória - uma meta importante para os democratas, que querem solidificar sua posição entre os eleitores latinos - parece que terá um caminho claro para o sucesso, principalmente com os republicanos buscando maneiras de melhorar seu apelo nesse grupo minoritário.

Mas o desafio maior e mais imediato é o confronto iminente com os republicanos no Congresso sobre gastos e impostos, durante o qual Obama vai pressionar para cumprir sua promessa de campanha de aumentar os impostos para os ricos, enquanto mantém impostos mais baixos para o restante da população.

Obama deu a entender que pode obrigar os republicanos a aceitarem essa exigência de elevar impostos para quem tem renda superior a US$ 250.000 ao ano, ameaçando vetar qualquer legislação que vise a evitar os reajustes de tributos e os cortes de gastos maciços programados a partir do final do ano.

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