IPCA sobe 0,59% em outubro; Mantega vê "pico" da inflação
Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira
RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 7 Nov (Reuters) - A inflação oficial do país registrou, em outubro, a maior alta em seis meses, puxada mais uma vez pelos preços dos alimentos. O resultado, no entanto, ficou dentro do esperado pelo mercado, que também acredita numa desaceleração nos próximo meses.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou a alta a 0,59 por cento no mês passado, após ter subido 0,57 por cento em setembro. Foi o maior resultado desde abril passado, quando o indicador subiu 0,64 por cento, e o segundo mais expressivo do ano.
Analistas ouvidos pela Reuters esperavam avanço de 0,58 por cento em setembro, com as projeções ficando entre 0,53 e 0,75 por cento.
"Os alimentos continuam pressionando a inflação e eles fazem o IPCA ficar estacionado num patamar significativo", disse a jornalistas a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos.
Segundo analistas, no entanto, a expectativa a partir de agora é de desaceleração dos preços das commodities, que sentiram a pressão dos efeitos da seca nos Estados Unidos nos últimos meses e levaram os preços dos grãos a dispararem.
"A expectativa é de que o IPCA desacelere (a partir de novembro), principalmente por conta da alimentação", afirmou a economista da Tendências Alessandra Ribeiro, acrescentando também que os preços ligados a habitação também vão ajudar neste movimento, por conta dos menores impactos vindos dos já ocorridos ajustes de água e esgoto.
Para ela, o IPCA terá alta de 0,51 por cento em novembro e de 0,48 por cento em dezembro. No geral, o mercado vê que o indicador fechará este ano a 5,44 por cento e a 5,40 por cento em 2013, segundo pesquisa Focus do Banco Central.
No acumulado de 12 meses até outubro, ainda segundo o IBGE, o IPCA avançou 5,45 por cento, acima dos 5,28 por cento de setembro, e afastando-se ainda mais do centro da meta do governo, de 4,5 por cento. O objetivo tem ainda margem de dois pontos percentuais para mais ou menos. Continuação...

