8 de Novembro de 2012 / às 18:18 / 5 anos atrás

BC vê economia com menos inflação, mais crescimento e disciplina fiscal

RECIFE, 8 Nov (Reuters) - O Banco Central vê um cenário macroeconômico mais favorável nos próximos meses caracterizado por menos inflação e mais crescimento. No aspecto fiscal, o BC indica permanência da disciplina no setor público, apesar de contar com cumprimento da meta de superávit de 139,8 bilhões de reais com ajustes neste ano.

O diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, buscou minimizar a flexibilização fiscal dizendo que o cenário de trabalho da autoridade monetária é de cumprimento da meta cheia de 155,9 bilhões de reais no ano que vem, com continuidade da queda da relação entre a dívida líquida e o Produto Interno Bruto (PIB).

"Trabalhamos com cenário de permanência da disciplina fiscal no setor público", afirmou em entrevista após apresentação do Boletim Regional em Recife. "A meta será cumprida com ajuste em 2012 e sem ajuste em 2013", acrescentou.

Nesta semana, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reconheceu que o governo não cumprirá a meta cheia de primário e que será necessário descontar investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ele disse, porém, que espera fazer o "mínimo" possível de abatimento.

O governo tem autorização legal para descontar até 40,6 bilhões de reais, mas trabalha com a possibilidade de abatimento de até 25,6 bilhões de reais.

No acumulado até setembro, a economia fiscal do setor público consolidado foi de 75,8 bilhões de reais. Esse resultado indicou a incapacidade do governo em fazer meta cheia neste ano, já que seria necessário economizar 63,9 bilhões de reais no último trimestre do ano.

Para o ano que vem, o diretor do BC afirmou que a retomada do crescimento econômico contribuirá com os esforços do governo para fazer a economia para pagar os juros da dívida sem necessidade de ajustar a meta no ano que vem. "O BC acredita que a recuperação da atividade vai ser elemento importante para a construção do superávit primário", disse.

INFLAÇÃO

Após sucessivas altas seguidas da inflação, Hamilton projetou um cenário mais favorável para a variação de preços no país, a partir da análise do comportamento do atacado.

"Se imaginarmos os preços no atacado como antecedentes do que vai acontecer com os preços ao consumidor, mais adiante é razoável imaginar que os preços ao consumidor estarão respondendo a mudanças ocorridas e registradas nos preços ao atacado", disse o diretor.

Hamilton fez referência ao recuo de 0,31 por cento no Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) em outubro, na primeira deflação nesse indicador desde dezembro de 2011. Em setembro, o índice havia registrado alta de 0,88 por cento.

Ao sinalizar inflação menor nos preços ao consumidor, o diretor mencionou também o comportamento do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI), que em outubro registrou queda de 0,68 por cento, após alta de 1,11 por cento em setembro.

Ele voltou a falar que a tendência é de convergência da inflação para o centro da meta de 4,5 por cento de forma não-linear no terceiro trimestre de 2013.

"Os choques nos preços são menos intensos ou duradouros do que observamos em 2010 e 2011. A elevação da inflação ocorreu no curto prazo, mas a trajetória de convergência será retomada", assegurou.

As avaliações do diretor sobre a tendência de arrefecimento da inflação foram feitas um dia após a divulgação de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou a alta encerrando outubro em 0,59 por cento ante 0,57 por cento em setembro, na maior elevação em seis meses.

CRESCIMENTO

O BC aproveitou a divulgação do Boletim Regional nesta quinta-feira em Recife para mais uma vez indicar que a expansão da economia será maior na segunda metade deste ano.

Na avaliação da autoridade monetáira, a atividade econômica retomou o crescimento no terceiro trimestre, embora não de forma generalizada e com ritmos distintos entre as regiões.

"Há melhora na perspectiva da economia. Nossa visão é que o segundo semestre deste ano e 2013 terá crescimento bem mais intenso que o do primeiro semestre deste ano", afirmou o diretor.

Hamilton acrescentou que as perspectivas são de ampliação moderada do crédito, recuo na inadimplência e permanência da demanda interna forte.

Nesse cenário traçado, a autoridade monetária não vê aumento do endividamento das famílias como um risco. Ponderou que o comprometimento da renda das famílias com o serviço dessas dívidas mantém-se estável em cerca de 22,4 por cento.

E lembra que a permanência de abertura de postos formais de trabalho e a elevação da renda do trabalhador são elementos para assegurar demanda interna forte, sem que haja risco para o orçamento das famílias.

Reportagem de Bruna Serra

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