UE e FMI discordam sobre Grécia e reacendem temores com crise
Por Jan Strupczewski e Annika Breidthardt
BRUXELAS, 13 Nov (Reuters) - As discussões entre os credores internacionais da Grécia sobre como o endividado país pode reduzir sua dívida para um nível sustentável reacendeu temores nesta terça-feira de que a crise da dívida da zona do euro pode piorar novamente.
Os ministros das Finanças da zona do euro sugeriram que deve ser dado à Grécia até 2022 para diminuir a relação dívida/PIB (Produto Interno Bruto) para 120 por cento, mas a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, insiste que a meta de 2020 deve ser mantida.
"Nós claramente temos visões diferentes. O que importa no fim das contas é a sustentabilidade da dívida grega, para que o país possa se recuperar", disse Lagarde no final da segunda-feira, numa declaração incomum de desacordo.
Por trás de sua forte oposição em relação ao presidente do Eurogroup, Jean-Claude Juncker, está uma divergência sobre se os governos da zona do euro precisam assumir algumas perdas da dívida da Grécia para torná-la sustentável. Autoridades do FMI têm pressionado por tal ação, enquanto a Alemanha, o maior contribuidor dos fundos de resgate da zona do euro, tem rejeitado veementemente essa medida, dizendo que esta é ilegal.
O ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, disse a repórteres nesta terça-feira que o prazo de 2020 era "um pouco ambicioso demais".
"Há um debate sobre os credores oficiais assumirem perdas. Sobre isso, eu digo que a maioria dos países afirmou nas últimas semanas que isso não é legalmente possível", acrescentou.
A chanceler Angela Merkel sinalizou que quer manter a Grécia na zona do euro, mas que está determinada a evitar perdas para os contribuintes alemães antes das eleições gerais em setembro de 2013.
Os diplomatas continuam confiantes de que um acordo será alcançado para liberar a parcela de 31,5 bilhões de euros do resgate, que Atenas precisa urgentemente para evitar a bancarrota. Continuação...

