November 13, 2012 / 11:55 AM / 5 years ago

Vendas no varejo brasileiro sobem 0,3% em setembro--IBGE

6 Min, DE LEITURA

Consumidores observam televisores em megaloja da Casas Bahia no Rio de Janeiro. As vendas no varejo brasileiro registraram em setembro a quarta expansão mensal seguida ao subirem 0,3 por cento, na comparação com agosto, puxadas pelo setor de supermercado e dentro das expectativas do mercado. 04/12/2009Sergio Moraes

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO, 13 Nov (Reuters) - Puxadas pelo setor de supermercados, as vendas no varejo brasileiro registraram em setembro a quarta expansão mensal seguida, ao subirem 0,3 por cento sobre agosto, a menor para esses meses desde 2005, quando recuou 0,6 por cento.

O resultado, que veio dentro do esperado, mostra que a atividade ainda não havia conseguido se recuperar com mais força. Segundo especialistas, os últimos meses deste ano devem repetir a performance, ainda com crescimento pequeno nas vendas, entre outros, pela cautela dos bancos em conceder crédito.

De acordo com os dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em relação a setembro de 2011, as vendas no varejo apresentaram alta de 8,5 por cento. Em agosto, o setor havia registrado avanço mensal de 0,2 por cento.

"As vendas continuam crescendo, só que agora num ritmo moderado", afirmou a jornalistas a economista do IBGE Aleciana Gusmão, acrescentando que esse cenário veio do ainda alto endividamento das famílias e da perda da força dos impactos das desonerações fiscais feitas pelo governo.

Analistas ouvidos pela Reuters previam alta de 0,3 por cento em setembro, ante agosto, de acordo com a mediana das previsões de 35 economistas. As projeções variaram de queda de 0,20 por cento e alta de 1,10 por cento.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a projeção era de aumento de 8,7 por cento, segundo a mediana de 31 projeções.

Supermercados

Segundo o IBGE, o resultado de setembro foi puxado pela atividade de super e hipermercados, que registrou alta de 1,2 por cento sobre o mês anterior, depois de terem recuado 1,2 por cento em agosto sobre julho. O setor de combustíveis e lubrificantes também apresentou alta em setembro, de 0,9 por cento, mantendo o ritmo do período anterior.

O bom desempenho do setor de supermercados, que representa cerca de metade do índice, já era esperado. Essas vendas avançaram 0,21 por cento ante agosto e 4,91 por cento ante setembro de 2011 em termos reais, segundo já havia divulgado a Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

"Mesmo com a inflação de alimentos mais alta, o setor foi o destaque em setembro por conta de variáveis como renda e emprego", avaliou a economista do IBGE. Em 12 meses, os preços dos alimentos subiram 9,5 por cento até setembro.

Na ponta oposta, segundo o IBGE, a atividade de equipamentos e materiais para escritórios saiu de uma alta mensal de 4,8 por cento em agosto para queda de 9,2 por cento em setembro.

Na comparação com setembro de 2011, a alta de 8,5 por cento foi puxada também pelo avanço de 10,9 por cento nas vendas de combustíveis e lubrificantes e de 10,1 por cento de super e hipermercados.

Para o economista da Votorantim Corretora Alexandre Andrade, as boas condições do mercado de trabalho devem continuar sustentando a demanda e garantindo uma alta do setor no quarto trimestre, "mas não algo espetacular".

"Isso porque, no caso dos bens duráveis, que dependem de crédito, ainda há um cenário de maior cautela dos bancos na concessão de financiamentos", disse ele, sem ver uma trajetória de aceleração em relação ao ano passado.

A expectativa de desaceleração do consumo pode indicar uma continuidade da fraqueza na expansão do Produto Interno Bruto (PIB) neste final de ano.

"A desaceleração na parte do consumo teria que ser compensada por uma alta mais forte nos investimentos. Mas por enquanto o que tem saído indica que essa alta não acontecerá", afirmou o economista-chefe do Crédit Agricole Vladimir Caramaschi.

Segundo ele, a expectativa é de uma alta do PIB de 1,2 a 1,3 por cento no terceiro trimestre, desacelerando para 1 por cento nos últimos três meses do ano.

veículos

Em relação ao comércio varejista ampliado --que inclui o setor automotivo e material de construção-- houve queda de 9,2 por cento em setembro sobre agosto, o pior resultado mensal desde o início da série histórica do IBGE, em 2003.

Neste caso, o desempenho foi fortemente impactado pelo setor de veículos, motos, partes e peças que, no período, apresentou queda nas vendas de 22,6 por cento, depois de ter subido 8 por cento em agosto.

"São duas atividades (equipamentos e veículos) que dependem muito do crédito e de como as famílias estão endividadas", afirmou Aleciana, do IBGE.

A economista lembrou que, em agosto, houve uma explosão na venda de carros porque havia a ameaça de acabar a redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), mas o governo acabou prorrogando o benefício. "Mas a demanda foi antecipada para agosto", adicionou ela

A expectativa é de melhora nas comercialização de veículos em outubro, uma vez que o setor encerrou outubro com produção e vendas nos melhores níveis já registrados para o mês, com expansões respectivamente de 18,6 e 12,8 por cento, segundo dados da associação de montadoras, Anfavea.

Em meio a dúvidas sobre a performance do setor industrial neste final do ano, o setor varejista ainda se apresenta como um dos principais condutores da economia brasileira mas, especificamente em setembro, não foi suficiente para compensar a má performance da indústria.

Naquele mês, a produção do setor recuou 1 por cento ante o mês anterior, no pior resultado em 8 meses. Isso levou analistas a piorarem sua estimativa para este ano para uma contração de 2,32 por cento no setor.

O mercado de trabalho dá sustentação ao setor varejista no país diante desse cenário. Embora tenha subido a 5,4 por cento em setembro, a taxa de desemprego brasileira continua nos menores níveis históricos.

Reportagem adicional de Camila Moreira e Silvio Cascione, em São Paulo, e Leila Coimbra, no Rio de Janeiro

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