Classe média agora rivaliza com pobres na América Latina, diz Banco Mundial

terça-feira, 13 de novembro de 2012 15:52 BRST
 

Por Anna Yukhananov

WASHINGTON, 13 Nov (Reuters) - O rápido crescimento econômico e políticas sociais mais inclusivas na América Latina durante a última década lançaram 50 milhões de pessoas na classe média, que pela primeira vez rivaliza com os pobres em número, informou o Banco Mundial em um estudo divulgado nesta terça-feira.

Os níveis de renda mais altos também criaram uma classe "vulnerável", na qual 38 por cento formam o maior grupo de renda. Essas pessoas situam-se logo acima da pobreza, que inclui uma renda diária de entre 4 dólares e 10 dólares por pessoa.

"Enquanto a pobreza diminuiu e a classe média cresceu...a família latino-americana mais comum está em um estado de vulnerabilidade", disse o Banco Mundial, o credor global para o desenvolvimento, em um relatório que observou a classe média e a mobilidade econômica na América Latina e no Caribe.

O Banco Mundial considera como classe média as pessoas que têm segurança econômica e enfrentam um risco menor de 10 por cento de cair de volta para a pobreza. Para a região, isso se traduz em uma renda diária de 10 a 50 dólares por pessoa.

Quase 30 por cento da população agora se enquadra nessa categoria, o que é igual a um terço das pessoas que ainda vivem na pobreza, uma mudança considerável em um continente conhecido por sua grande desigualdade de renda, com uma maioria de pobres e uma estreita fatia de ricos.

Com a expansão econômica global, e políticas de redistribuição em alguns países, ao menos 40 por cento da população da região foram para uma classe econômica mais alta entre 1995 e 2010.

No Brasil, o maior país da região e a sexta maior economia do mundo, o crescimento liderado pela valorização das commodities e transferências condicionais de dinheiro ajudaram a retirar 30 milhões de pessoas da pobreza no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Pela região, o aumento da classe média teve efeitos claros, ajudando países como o Brasil a depender menos da ajuda estrangeira e ficar menos vulnerável à pressão internacional.   Continuação...