Eletrobras indica que renovará concessões e perde conselheiro

quarta-feira, 14 de novembro de 2012 19:16 BRST
 

Por Cesar Bianconi e Leonardo Goy

SÃO PAULO/BRASÍLIA, 14 Nov (Reuters) - A diretoria da Eletrobras recomendou que seja aprovada a renovação antecipada e condicionada das concessões elétricas do grupo, numa ação simultânea ao pedido de renúncia do representante dos acionistas minoritários no Conselho de Administração da companhia.

A saída do conselheiro José Luiz Alquerés, que já foi presidente da estatal federal, ocorreu no mesmo momento em que o Conselho decidiu que levará para assembleia de acionistas a recomendação de que o grupo renove agora os contratos que venceriam de 2015 a 2017, com base em nota técnica aprovada por sua diretoria.

Em sua carta de renúncia, Alquerés disse que "temos visto medidas do governo --até bem intencionadas na origem-- destruírem brutalmente valor" na Eletrobras, por não considerarem a realidade do mercado.

No documento obtido pela Reuters, o agora ex-conselheiro afirmou que o motivo de sua saída é o risco de conflito de interesse, já que ele atua em consultoria e aconselhamento para outras empresas do setor.

A Eletrobras é uma das empresas mais afetadas pela renovação antecipada das concessões elétricas, parte relevante do plano da presidente Dilma Rousseff para assegurar um corte na conta de luz de 20 por cento, em média, para ampliar a competitividade da indústria nacional e impulsionar a economia.

A expectativa entre analistas era de que a Eletrobras aceitasse a renovação das concessões nos termos propostos pelo governo por ter a União como acionista controladora, mesmo em condições econômicas consideradas desfavoráveis para a empresa.

O ministro interino de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, que preside o Conselho da Eletrobras, minimizou a saída do conselheiro, que classificou como "normal".

"Quando você participa de um Conselho de uma empresa, cada conselheiro tem as suas responsabilidades e cada um faz o que acha que concorda ou não. Se o conselheiro pediu para sair, é normal que ocorra, e isso não tem maiores efeitos na empresa", disse Zimmermann.   Continuação...