Milhares de manifestantes pedem a queda do regime na Jordânia

sexta-feira, 16 de novembro de 2012 12:55 BRST
 

Por Suleiman Al-Khalidi

AMÃ, 16 Nov (Reuters) - Milhares de pessoas gritaram nesta sexta-feira nas ruas da capital da Jordânia o slogan da Primavera Árabe, "o povo quer a queda do regime", num momento que as manifestações contra os aumentos dos preços ganham força no país que até então estava livre da agitação no Oriente Médio.

A Irmandade Muçulmana, organização predominantemente urbana, se uniu aos protestos, na maioria rurais, que irromperam nos últimos dias, elevando a possibilidade de uma longa instabilidade no reino, que é um firme aliado dos Estados Unidos e tem uma extensa fronteira com Israel.

A manifestação desta sexta-feira perto da importante mesquita de Husseini, no centro de Amã, foi pacífica. Policiais desarmados separavam os participantes que criticavam o rei Abdullah de um pequeno grupo gritando slogans em apoio ao monarca.

"Saia Abdullah, saia", repetiam os cerca de 4 mil manifestantes enquanto a polícia, em parte com equipamentos antidistúrbios, permaneceu de modo geral distante da multidão.

Os protestos vem se tornando violentos em localidades pobres do reino desde quarta-feira, quando o governo impôs um aumento no preço do combustível. Jovens desempregados e outros manifestantes atacaram delegacias de polícia, fecharam estradas com a queima de carros e incendiaram prédios públicos.

Um manifestante foi morto na quinta-feira quando uma multidão tentava invadir uma delegacia de polícia na cidade de Irbid, no norte. As províncias pareciam estar mais calmas nesta sexta-feira.

A decisão da Irmandade Muçulmana de apoiar o protesto desta sexta significa que o movimento de oposição mais bem-organizado do país se une às manifestações, embora líderes da Irmandade não tenham tomado parte.

"O rei Abdullah deveria se inteirar da situação, revisando sua decisão de aumentar os preços. O povo da Jordânia não tem condições de suportar mais fardos", disse o líder da irmandade, xeque Hamam Said, em um comunicado antes dos protestos.   Continuação...