França diz que fundamentos são bons apesar de redução de rating

terça-feira, 20 de novembro de 2012 11:15 BRST
 

PARIS, 20 Nov (Reuters) - A França disse que irá responder ao rebaixamento do crédito pela Moody's estimulando reformas econômicas, mas criticou o fato de a agência de classificação de risco ter ignorado os esforços já feitos para buscar reativar a segunda maior economia da zona do euro.

O país já havia perdido a classificação triplo A da Standard & Poor's em janeiro, de modo que a redução da Moody's não foi uma surpresa, mas ela sublinhou dúvidas sobre a habilidade de o presidente socialista François Hollande de reequilibrar as finanças francesas.

O rebaixamento também destacou divergências com a Alemanha. O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, disse nesta terça-feira que a França recebeu um "pequeno alerta" da agência.

Apesar disso, o corte da Moody's para Aa1 com perspectiva negativa não afeta o status dos bônus franceses como "portos seguros" na crise que afeta a região, ao lado dos da Alemanha.

"A Moody's questionou a capacidade da França em fazer as reformas, então cabe a nós mostrar que nós vamos fazer essas reformas", afirmou o ministro das Finanças francês, Pierre Moscovici, em entrevista na terça-feira.

"A mudança do rating não coloca em questão os fundamentos econômicos do país, os esforços feitos pelo governo ou nosso bom histórico de crédito", afirmou Moscovici.

O governo planeja para 2013 uma redução drástica nos gastos públicos, que seria o maior aperto fiscal em 30 anos. Mas precisa também reverter a desaceleração do crescimento que levou o desemprego para níveis não vistos há 13 anos.

O rebaixamento derrubou o euro 0,30 por cento para 1,2770 em relação ao dólar na noite de segunda-feira, mas a moeda europeia recuperava-se e era negociada a 1,2806 por dólar nesta terça-feira.

O rendimento do principal título público francês de 10 anos estava praticamente estável em 2,10 por cento contra os 2,08 por cento antes do downgrade.

 
Ministro das Finanças da França, Pierre Moscovici, caminha após coletiva de imprensa do Ministério da Economia em Paris, França. A França disse que irá responder ao rebaixamento do crédito pela Moody's estimulando reformas econômicas, mas criticou o fato de a agência de classificação de risco ter ignorado os esforços já feitos para buscar reativar a segunda maior economia da zona do euro. 20/11/2012 REUTERS/Gonzalo Fuentes