Reformistas foram barrados na transição chinesa
Por Benjamin Kang Lim
PEQUIM, 21 Nov (Reuters) - Líderes aposentados do Partido Comunista Chinês usaram uma consulta de última hora para impedir que dois candidatos reformistas entrassem para o Comitê Permanente do Politburo, segundo duas fontes ligadas à liderança partidária.
A influência de dirigentes eméritos como o ex-presidente Jiang Zemin e o ex-chefe do Parlamento Li Peng salienta os obstáculos para a realização de reformas, mesmo que limitadas, nos escalões superiores do partido, que governa a China desde 1949.
As consultas informais para a definição do Comitê Permanente marcaram o primeiro flerte do PC chinês com uma "democracia intrapartidária" que conciliasse facções internas e levasse a um consenso na definição do Comitê Permanente, principal órgão decisório do partido, composto por sete integrantes. Em 2007, uma votação informal para a definição do plenário do Politburo já havia sido realizada.
Dois dos candidatos barrados no Comitê Permanente eram amplamente apontados como reformistas: Wang Yang, dirigente do partido na província de Cantão (sul), e Li Yuanchao, ministro partidário de organização e pessoal.
Wang e Li não foram localizados para comentar, e a direção do partido não quis se pronunciar.
Lançando uma luz sobre o opaco processo nos bastidores, as duas fontes disseram que a votação no novo Comitê Permanente envolveu os 24 membros do Politburo que estavam e final de mandato e outros dez dirigentes aposentados.
O grupo realizou mais de dez rodadas de deliberações, incluindo pelo menos duas votações informais, num processo ocorrido ao longo de vários meses no hotel militar Jingxi, em Pequim, e em outros lugares, segundo as duas fontes, que pediram anonimato.
Já estava definido de antemão que Xi Jinping, futuro presidente do país, e Li Keqiang, futuro premiê, seriam incluídos no Comitê Permanente. Sobravam, portanto, cinco vagas, com oito candidatos. Continuação...

