IPCA-15 desacelera alta a 0,54% em novembro com alimentos

quinta-feira, 22 de novembro de 2012 09:53 BRST
 

RIO DE JANEIRO, 22 Nov (Reuters) - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) --uma prévia da inflação oficial-- desacelerou a alta para 0,54 por cento em novembro, ante ganho de 0,65 por cento em outubro, influenciado principalmente pelos preços dos alimentos.

O resultado, no entanto, ficou acima do esperado pelo mercado. Pesquisa Reuters apontou que o indicador desaceleraria para uma alta de 0,51 por cento, de acordo com a mediana das previsões de 28 analistas. As estimativas variaram de 0,40 a 0,57 por cento.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta quinta-feira, os preços do grupo Alimentação e Bebidas avançaram 0,83 por cento em novembro, ante alta de 1,56 por cento em outubro, deixando o posto de grupo com maior variação após três meses.

Nesse grupo, destacaram-se entre os alimentos mais importantes no orçamento familiar o arroz (cuja alta passou de 11,91 por cento em outubro para 6,63 por cento em novembro), óleo de soja (de 3,01 a 2,21 por cento) e frango (de 4,13 a 1,43 por cento. Alguns alimentos também passaram a registrar queda dos preços, como cebola (de 9,97 a -8,79 por cento).

Analistas já esperavam que os preços perdessem força a partir do final deste ano, principalmente por conta da desaceleração nos alimentos. Esse grupo vinha pressionando os índices inflacionários há meses por conta dos efeitos da seca em regiões produtoras de grãos nos Estados Unidos.

Índices do atacado já vinham mostrando nas últimas semanas uma redução dos preços de vários itens alimentícios. Na segunda-feira, o Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) recuou 0,16 por cento na segunda prévia de novembro, influenciado justamente pelos preços de alimentos no atacado.

Também colaborou para o resultado do IPCA-15 neste mês o setor de Habitação, cujos preços avançaram 0,33 por cento agora, desacelerando ante alta de 0,72 por cento em outubro. Saúde e cuidados pessoais registrou alta de 0,36 por cento, ante 0,42 por cento no mês anterior.

Em contrapartida, o grupo Transportes acelerou a alta para 0,47 por cento em novembro, ante 0,11 por cento em outubro. Segundo o IBGE isso se deveu à alta nos preços da gasolina (de 0,06 a 1,37 por cento) e das passagens aéreas (de 1,66 a 11,80 por cento). Com isso, o grupo foi responsável pelo maior impacto individual no índice no mês, de 0,06 ponto percentual.

No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA-15 registrou alta de 5,64 por cento, acima dos 12 meses imediatamente anteriores, quando ficou em 5,56 por cento. Com isso a inflação permanece longe do centro da meta do governo de 4,5 por cento pelo IPCA.

A estabilização da alta dos preços corrobora a perspectiva de que o Banco Central manterá Selic estável na atual mínima histórica de 7,25 por cento ao ano até o final de 2013, em meio aos esforços do governo para a estimular a economia, que ainda reluta em mostrar sinais mais consistentes de recuperação.

(Por Walter Brandimarte)

 
Padeiro tira fornada de pão do forno em padaria de São Paulo, em novembro de 2002. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) desacelerou a alta para 0,54 por cento em novembro, ante ganho de 0,65 por cento em outubro, influenciado principalmente pelos preços dos alimentos. 6/11/2002 REUTERS/Paulo Whitaker