22 de Novembro de 2012 / às 11:39 / em 5 anos

Desemprego cai ao menor nível histórico em outubro e renda sobe

Funcionários trabalham na linha de montagem dos Computadores Positivo, em Curitiba, em setembro de 2009.O desemprego brasileiro caiu para 5,3 por cento no mês passado, ante 5,4 por cento em setembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 25/09/2009 REUTERS/Cesar Ferrari

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 22 Nov (Reuters) - O desemprego brasileiro voltou a recuar no mês passado, chegando à menor taxa histórica para meses de outubro, ao mesmo tempo em que a renda da população acelerou ligeiramente, indicando que o mercado de trabalho deve continuar a incentivar o consumo no país.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta quinta-feira, o desemprego caiu para 5,3 por cento no mês passado, ante 5,4 por cento em setembro, atingindo o menor nível para outubro desde o início da série histórica em 2002.

O resultado ficou dentro do esperado pelo mercado. Pesquisa da Reuters mostrou que a mediana das previsões de 25 analistas consultados apontava que a taxa recuaria para 5,3 por cento. As estimativas variaram de 5,0 a 5,6 por cento.

Com o resultado do mês passado, a taxa de desemprego permanece perto do recorde de 4,7 por cento registrado em dezembro do ano passado.

“De maneira nenhuma pode-se dizer que o mercado de trabalho está parado”, afirmou o coordenador da pesquisa do IBGE, Cimar Azeredo. “O mercado de trabalho é um reflexo da economia: quando está aquecida, contrata mais e quando não, menos”, acrescentou ele.

A redução na taxa de desemprego em outubro foi ancorada por São Paulo, região de maior peso na pesquisa, com cerca de 42 por cento do total. A taxa paulista baixou de 6,5 para 5,9 por cento no período.

“O que se observa nessa época do ano é que começa um movimento de pessoas em busca de trabalho temporário por conta das festas de fim de ano, principalmente nos setores de serviços e comércio”, disse Azeredo, acrescentando que boa parte das pessoas que procuraram trabalho foi absorvida.

“São Paulo exerce um efeito farol sobre o mercado de trabalho. Primeiro as coisas acontecem lá para repercutir nas demais regiões”, afirmou o técnico do IBGE.

RENDA EM ALTA

O IBGE informou ainda que o rendimento médio da população ocupada subiu 0,3 por cento no mês passado ante setembro, e cresceu 4,6 por cento sobre outubro de 2011, atingindo 1.787,70 reais. Em setembro, a variação mensal havia sido positiva em 0,1 por cento.

Na média do ano, o rendimento do trabalhador ocupado cresceu 4,1 por cento em relação ao mesmo período do ano passado.

A população ocupada cresceu 0,9 por cento no mês passado na comparação com setembro, avançando 3,0 por cento ante o mesmo período do ano anterior, totalizando 23,366 milhões de pessoas nas seis regiões metropolitanas avaliadas.

Já a população desocupada chegou a 1,314 milhão de pessoas, queda de 0,9 por cento ante setembro e 5,1 por cento menor sobre um ano antes. Os desocupados incluem tanto os empregados temporários dispensados quanto desempregados em busca de uma chance no mercado de trabalho.

Entre outubro e setembro, informou o IBGE, o setor que mais contratou foi o da construção civil, com crescimento de 4,5 por cento, ou 80 mil pessoas.

“Isso mostra que o mercado de trabalho continua a exibir sinais favoráveis para incentivar o consumo. Além disso, ajuda a aliviar os indicadores de inadimplência, e o final do ano é o momento propício para isso, com quitação de débitos atrasados”, disse o economista da Votorantim Corretora Alexandre Andrade.

Para ele, o mercado de trabalho deve seguir em condições favoráveis, principalmente se concretizada a esperada melhora da atividade econômica no final deste ano e em 2013, para quando o governo fala em crescimento de 4 por cento.

O nível baixo de desemprego e o aumento da renda ajudam a atividade econômica brasileira, num momento em que ainda mostra sinais conflitantes de recuperação, abalada pela crise internacional. Mas também acende a luz amarela quando o assunto é inflação.

“Esses números têm que ser vistos com cautela. O rendimento médio real tem que crescer compatível com a produtividade. Quando há um desequilíbrio, pressiona custos e ao mesmo tempo garante sustentação do consumo”, avaliou o economista sênior do BES Investimentos Flávio Serrano, acrescentando que nível satisfatório para o desemprego seria entre 6 e 6,5 por cento.

Nesta quinta-feira, o IBGE informou também que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) desacelerou a alta a 0,54 por cento em novembro, porém o nível ainda gera cautela entre analistas devido ao descompasso entre atividade e consumo.

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