ONU critica decreto que amplia poderes do presidente no Egito

sexta-feira, 23 de novembro de 2012 11:29 BRST
 

GENEBRA, 23 Nov (Reuters) - O decreto pelo qual o presidente do Egito, Mohamed Mursi, ampliou seus próprios poderes causa gravíssimas preocupações relativas aos direitos humanos, disse na sexta-feira um porta-voz da alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay.

O decreto foi bem recebido por aliados de Mursi, mas gerou temores entre egípcios de orientação laica, preocupados com o domínio da Irmandade Muçulmana na atual etapa política do país.

Entre outros itens, o decreto prevê que todas as decisões tomadas por Mursi até a eleição de um novo Parlamento não podem ser judicialmente contestadas. Ele determina também um novo julgamento para o ex-presidente Hosni Mubarak e seus assessores.

"Estamos preocupados com as possíveis enormes ramificações desta declaração sobre os direitos humanos e o Estado de direito no Egito", disse Rupert Colville, porta-voz de Pillay em Genebra.

"Também tememos que isso leve a uma situação muito volátil nos próximos dias, começando, na verdade, por hoje."

Colville não especificou quais partes do decreto são mais preocupantes. Ele disse que o texto é muito longo, e que uma análise mais completa será divulgada pelo gabinete de Pillay no máximo até sábado.

(Reportagem de Tom Miles)

 
Apoiador do presidente egípcio Mohamed Mursi carrega poster com imagem de Mursi, enquanto outros cantam slogans pró-Mursi durante manifestação em frente ao Palácio Presidencial no Cairo. Mursi levantou controvérsias com um decreto divulgado na quinta-feira, que amplia seus próprios poderes. 23/11/2012 REUTERS/Asmaa Waguih