25 de Novembro de 2012 / às 12:16 / 5 anos atrás

Ações no Egito despencam após decreto de presidente

Vista de dentro do mercado de ações do Egito, no Cairo. O mercado de ações do Egito despencou neste domingo em seu primeiro dia de abertura desde que a tomada de novos poderes do presidente islamista Mohamed Mursi provocou violência nas ruas e uma crise política, desfazendo os esforços para restaurar a estabilidade depois da revolução do ano passado. 25/11/2012 REUTERS/Asmaa Waguih

Por Tom Perry e Patrick Werr

CAIRO, 25 Nov (Reuters) - O mercado de ações do Egito despencou neste domingo em seu primeiro dia de abertura desde que a tomada de novos poderes do presidente islamista Mohamed Mursi provocou violência nas ruas e uma crise política, desfazendo os esforços para restaurar a estabilidade depois da revolução do ano passado.

Mais de 500 pessoas ficaram feridas em protestos desde sexta-feira, quando os egípcios despertaram para a notícia de que Mursi havia emitido um decreto ampliando temporariamente seus poderes e blindando suas decisões de uma revisão judicial. Mursi e o judiciário insinuaram um compromisso para evitar uma crise política total.

O Conselho Judicial Supremo disse que o decreto de Mursi deveria se aplicar apenas a “questões soberanas”. Embora não tenha especificado o que isso significava, sua declaração, lida na televisão, sugeria que não rejeitava o decreto completamente. Pediu aos juízes e promotores que queriam uma greve que voltassem ao trabalho.

O gabinete de Mursi repetiu as garantias de que as medidas seriam temporárias, e disse que queria dialogar com os grupos políticos.

“Essa declaração é considerada necessária a fim de incriminar os responsáveis pela corrupção, assim como por outros crimes, durante o regime anterior e o período de transição”, disse a Presidência em um comunicado.

O ministro da Justiça, Ahmed Mekky, que disse ter algumas reservas sobre o decreto de Mursi, lançou um esforço para fazer a mediação entre Mursi e os juízes.

A queda no mercado de ações de domingo de quase 10 por cento - que foi interrompida apenas por freios automáticos - foi a pior desde o levante que derrubou Hosni Mubarak em fevereiro de 2011.

Imagens de manifestantes entrando em confronto com a tropa de choque da polícia e gás lacrimogêneo pairando sobre a Praça Tahir do Cairo eram uma lembrança inquietante sobre aquele levante. Ativistas estão acampados na praça pelo terceiro dia, bloqueando o trânsito com barricadas improvisadas. Nas proximidades, a tropa de choque e os manifestantes entravam em confrontos intermitentes.

Os partidários e opositores de Mursi planejam grandes demonstrações na terça-feira que poderiam provocar mais violência nas ruas.

“Voltamos à estaca zero, politica e socialmente”, disse Mohamed Radwan da Pharos Securities, uma empresa de corretagem egípcia.

O decreto de Mursi, emitido na noite de quinta-feira, marca um esforço para consolidar sua influência depois de ele ter afastado de forma bem-sucedida generais da era Mubarak em agosto. Reflete sua suspeita de um judiciário pouco reformado desde a era Mubarak.

Forjado da outrora banida Irmandade Muçulmana, o governo Mursi defende seu decreto como um esforço para acelerar reformas que vão completar a transformação democrática do Egito. Mas esquerdistas, liberais, socialistas e outros dizem que ele expõe os impulsos autocráticos de um homem que já foi aprisionado por Mubarak.

“Não há espaço para diálogo quando um ditador impõe as medidas mais opressivas e detestáveis e então diz ‘deixemos de lado as diferenças”, disse o proeminente líder da oposição, ElBaradei, no sábado em uma entrevista para a Reuters e a Associated Press.

Os investidores estavam mais confiantes nos últimos meses de que um governo legitimamente eleito ajudaria o Egito a colocar para trás seus problemas econômicos e políticos. O principal índice do mercado de ações subiu 35 por cento desde a vitória de Mursi. Fechou no domingo em seu nível mais baixo desde 31 de julho.

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