Egito diz que decreto de Mursi é "temporário"; quer diálogo

domingo, 25 de novembro de 2012 18:12 BRST
 

CAIRO, 25 Nov (Reuters) - A Presidência do Egito anunciou neste domingo que se comprometeu a se envolver com "todas as forças políticas" para encontrar um ponto comum sobre as discussões da Constituição e ressaltou a "natureza temporária" de um decreto que amplia poderes do presidente Mohamed Mursi.

"Este decreto é considerado necessário, a fim de responsabilizar os responsáveis ​​pela corrupção, bem como outros crimes durante o regime anterior e durante o período de transição", afirmou a presidência em um comunicado.

Diante de uma série de protestos de juízes e opositores políticos que acusam Mursi de se transformar em um novo ditador, a Presidência disse que o decreto "não estava destinado a concentrar poderes", mas a devolvê-los a eles.

O objetivo foi evitar a politização do Judiciário, disse o comunicado.

Ele também teve como objetivo "abortar qualquer tentativa" de dissolver o Parlamento do Egito, dominado por islâmicos aliados de Mursi, acrescentou o comunicado.

"A presidência salienta o seu firme compromisso de envolver todas as forças políticas no diálogo democrático para chegar a um terreno comum e reduzir a distância, a fim de chegar a um consenso nacional sobre a Constituição", acrescentou.

Paralelamente, o organismo máximo da Justiça do Egito afirmou que o decreto de Mursi, que está protegido de revisão judicial, só deve aplicar-se a decisões ou leis relativas a "assuntos soberanos".

O Conselho Superior de Justiça do país pediu também que os juízes continuem trabalhando, após o influente Clube dos Juízes pedir no sábado por uma greve nacional em protesto pelo decreto de Mursi.

(Reportagem de Marwa Awad)

 
Manifestantes correm da polícia durante confrontos na Praça Tahrir, no Cairo. A Presidência do Egito anunciou neste domingo que se comprometeu a se envolver com "todas as forças políticas" para encontrar um ponto comum sobre as discussões da Constituição e ressaltou a "natureza temporária" de um decreto que amplia poderes do presidente Mohamed Mursi. 25/11/2012 REUTERS/Mohamed Abd El Ghany