25 de Novembro de 2012 / às 16:28 / em 5 anos

Egito diz que decreto de Mursi é "temporário"; quer diálogo

Manifestantes correm da polícia durante confrontos na Praça Tahrir, no Cairo. A Presidência do Egito anunciou neste domingo que se comprometeu a se envolver com "todas as forças políticas" para encontrar um ponto comum sobre as discussões da Constituição e ressaltou a "natureza temporária" de um decreto que amplia poderes do presidente Mohamed Mursi. 25/11/2012Mohamed Abd El Ghany

CAIRO, 25 Nov (Reuters) - A Presidência do Egito anunciou neste domingo que se comprometeu a se envolver com "todas as forças políticas" para encontrar um ponto comum sobre as discussões da Constituição e ressaltou a "natureza temporária" de um decreto que amplia poderes do presidente Mohamed Mursi.

"Este decreto é considerado necessário, a fim de responsabilizar os responsáveis ​​pela corrupção, bem como outros crimes durante o regime anterior e durante o período de transição", afirmou a presidência em um comunicado.

Diante de uma série de protestos de juízes e opositores políticos que acusam Mursi de se transformar em um novo ditador, a Presidência disse que o decreto "não estava destinado a concentrar poderes", mas a devolvê-los a eles.

O objetivo foi evitar a politização do Judiciário, disse o comunicado.

Ele também teve como objetivo "abortar qualquer tentativa" de dissolver o Parlamento do Egito, dominado por islâmicos aliados de Mursi, acrescentou o comunicado.

"A presidência salienta o seu firme compromisso de envolver todas as forças políticas no diálogo democrático para chegar a um terreno comum e reduzir a distância, a fim de chegar a um consenso nacional sobre a Constituição", acrescentou.

Paralelamente, o organismo máximo da Justiça do Egito afirmou que o decreto de Mursi, que está protegido de revisão judicial, só deve aplicar-se a decisões ou leis relativas a "assuntos soberanos".

O Conselho Superior de Justiça do país pediu também que os juízes continuem trabalhando, após o influente Clube dos Juízes pedir no sábado por uma greve nacional em protesto pelo decreto de Mursi.

Reportagem de Marwa Awad

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