Líder do Egito recebe juízes para discutir ampliação de poderes

segunda-feira, 26 de novembro de 2012 16:40 BRST
 

Por Yasmine Saleh e Edmund Blair

CAIRO, 26 Nov (Reuters) - O presidente do Egito, Mohamed Mursi, negociou na segunda-feira com juízes da mais alta instância para tentar desarmar a crise decorrente do decreto que lhe conferiu poderes adicionais e que desencadeou violentos protestos no país.

O ministro da Justiça disse que aparentemente Mursi acatou uma proposta do Conselho Judicial Supremo para limitar seus novos poderes. Um porta-voz governamental disse que o presidente está "muito otimista de que os egípcios irão superar a crise".

Mas os manifestantes dizem que só a revogação do decreto irá lhes satisfazer, num sinal de que a divergência entre políticos islâmicos e seus adversários laicos continua desestabilizando o Egito, quase dois anos depois da revolução que depôs a ditadura de Hosni Mubarak.

O decreto de Mursi, político ligado à Irmandade Muçulmana, blinda suas decisões de qualquer contestação judicial.

"Não tem essa de emendar o decreto", disse Tarek Ahmed, de 26 anos, que passou a noite entre as barracas armadas no centro da praça Tahrir, no Cairo, epicentro da revolta de 2011 contra Mubarak. "Ele precisa ser revogado."

Uma pessoa foi morta e cerca de 370 ficaram feridas em confrontos entre a polícia e os manifestantes desde a divulgação do decreto, na quinta-feira. A Bolsa local opera em baixa de mais de 7 por cento.

Adversários de Mursi o acusam de agir como um ditador, e o Ocidente manifesta sua preocupação com a estabilidade do mais populoso país árabe.

O governo diz que o decreto era necessário para acelerar reformas e concluir a transição para a democracia. Liberais e esquerdistas dizem que ele expôs impulsos autocráticos de um presidente que já esteve preso pelo regime de Mubarak.   Continuação...

 
Presidente egípcio, Mohamed Mursi, fala para partidários em frente ao palácio presidencial no Cairo, Egito. Mursi vai se reunir nesta segunda-feira com juízes de altas instâncias para tentar atenuar a crise iniciada com o decreto pelo qual ele se atribuiu mais poderes, e que motivou violentos protestos no país. 23/11/2012 REUTERS/Egyptian Presidency/Handout