OCDE corta previsões de crescimento global por riscos da zona do euro
PARIS, 27 Nov (Reuters) - A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) cortou suas previsões para o crescimento global nesta terça-feira, alertando que a crise da dívida na zona do euro é a maior ameaça à economia mundial.
À luz do cenário econômico ruim, a OCDE pediu que os bancos centrais se preparem para mais afrouxamento monetário excepcional se os políticos não conseguirem dar respostas críveis à crise da dívida.
O órgão sediado em Paris, em seu relatório semestral Perspectivas Econômicas, previu que a economia global crescerá 2,9 por cento este ano, antes de expandir 3,4 por cento em 2013. A estimativa marcou uma forte queda desde a última projeção da OCDE em maio, de 3,4 por cento para este ano e de 4,2 por cento em 2013.
A zona do euro está enfrentando dois anos de contração econômica, enquanto os Estados Unidos correm o risco de entrar em recessão se os parlamentares do país não chegarem a um acordo para evitar uma combinação de aumentos de impostos e cortes orçamentários que entrarão, caso contrário, em vigor no ano que vem.
Desde que o impasse em Washington seja superado, a maior economia do mundo irá crescer 2,0 por cento no ano que vem, estimou a OCDE, cortando sua projeção de 2,6 por cento em maio.
"O abismo fiscal norte-americano é uma fonte muito importante de preocupação, mas o maior risco continua sendo a zona do euro", afirmou o economista-chefe da OCDE, Pier Carlo Padoan, em entrevista à Reuters.
"A razão para isso não é apenas recessão, mas também o fato de que diferentes ciclos de política negativa entre dívida soberana, a situação bancária e riscos de saída permanecem. Portanto a região como um todo continua num estado de fragilidade."
Ao cortar suas estimativas, a OCDE prevê agora que a economia da zona do euro irá contrair 0,4 por cento este ano e outro 0,1 por cento no ano que vem, apenas retornando ao crescimento em 2014, com uma taxa de 1,3 por cento.
A OCDE alertou que condições financeiras divergentes dentro da união monetária europeia ameaçam dividi-la se as autoridades falharem em conter a crise da dívida. Continuação...

