Amostras do corpo de Arafat são retiradas para investigação de envenenamento

terça-feira, 27 de novembro de 2012 17:53 BRST
 

Por Jihan Abdalla

RAMALLAH, Cisjordânia, 27 Nov (Reuters) - Peritos forenses retiraram nesta terça-feira amostras dos restos mortais do líder palestino Yasser Arafat, na Cisjordânia, como parte da investigação a respeito das suspeitas de que ele teria sido envenenado com o elemento radiativo polônio, difícil de ser rastreado.

Arafat morreu há oito anos, mas as teorias conspiratórias a respeito disso nunca cessaram. Muitos estão convencidos de que seu líder foi vítima de assassinato por agentes israelenses e pode ter sido envenenado intencionalmente ou não por um palestino. E podem continuar convencidos disso qualquer que seja o resultado da autopsia.

O corpo de Arafat foi descoberto no túmulo e amostras foram retiradas sem mover o cadáver. A tumba foi fechada horas depois e coroas de flores foram colocadas por líderes palestinos, incluindo o primeiro-ministro, Salam Fayyad.

O chefe do comitê de investigação palestino, Tawfiq Tirawi, disse que o procedimento transcorreu sem problemas. Uma equipe médica palestina colheu as amostras e as entregou a cada uma das equipes suíça, francesa e russa.

"Precisamos de provas a fim de encontrar os que estão por trás deste assassinato e levá-los ao TPI (Tribunal Penal Internacional)", disse ele. "Israel está ocupando a nossa terra, e assassinatos não são novidade, eles cometeram muitos, publicamente e secretamente. O que os impediria de assassinar Abu Ammar (Arafat)?"

Juízes franceses abriram em agosto uma investigação sobre a morte de Arafat, que ocorreu em um hospital de Paris. A decisão foi tomada porque um instituto suíço descobriu níveis elevados de polônio em roupas entregues pela viúva dele, Suha, por ocasião de um documentário de TV.

"O estado do corpo era exatamente o que você esperaria encontrar de alguém que foi enterrado há oito anos", disse o ministro da Saúde, Hani Abdeen, em entrevista coletiva. "Não havia nada mais que o normal."

Alguns moradores de Ramallah, onde Arafat está enterrado, deploraram a exumação.   Continuação...

 
Suha Arafat, viúva do líder palestino Yasser Arafat, assiste à cerimônia após a exumação de seu marido na cidade de Ramallah, em seu apartamento em Sliema. 27/11/2012 REUTERS/Darrin Zammit Lupi