Egípcios desafiam presidente Mursi em protesto nacional

terça-feira, 27 de novembro de 2012 21:41 BRST
 

Por Tamim Elyan

CAIRO, 27 Nov (Reuters) - Dezenas de milhares de egípcios protestaram nesta terça-feira contra o decreto que concede poderes extraordinários ao presidente do país, Mohamed Mursi, num dos maiores atos públicos desde a derrubada do regime de Hosni Mubarak.

A polícia usou gás lacrimogêneo contra jovens que atiravam pedras nos arredores da praça Tahrir, epicentro da rebelião popular que derrubou Mubarak em janeiro de 2011. Houve confrontos entre partidários e adversários do governo numa cidade ao norte da capital.

Mas a violência não ofuscou a demonstração de força da oposição, geralmente dividida. Esse foi o maior desafio a Mursi nos cinco meses desde a sua posse.

"O povo quer derrubar o regime", gritavam os manifestantes no Cairo, ecoando os slogans usados contra Mubarak em 2011. Houve manifestações também em Alexandria, Suez, Minya e outras cidades do Delta do Nilo.

O protesto desta terça-feira, convocado por esquerdistas, liberais e outros grupos, aprofunda a pior crise no Egito desde a eleição de Mursi, um político ligado à Irmandade Muçulmana.

Um manifestante de 52 anos morreu após inalar gás lacrimogêneo no Cairo. Foi a segunda morte em um protesto desde que Mursi expediu, na semana passada, um decreto que amplia seus poderes e proíbe contestações judiciais às suas decisões.

O governo diz que o decreto é parte de um esforço para acelerar as reformas e concluir a transição do Egito para a democracia.

Mas adversários dizem que Mursi se comporta como um faraó contemporâneo, provocação que costumava ser dirigida a Mubarak. Os Estados Unidos, patrocinadores das Forças Armadas egípcias, manifestaram preocupações com a turbulência no mais populoso país do mundo árabe.   Continuação...

 
Manifestantes protestam contra o governo e o presidente egípcio, Mohamed Mursi, na praça Tahrir, no Cairo, Egito, nesta terça-feira. 27/11/2012 REUTERS/Mohamed Abd El Ghany