Relator da CPI do Cachoeira recua, mas pode ter parecer rejeitado

quarta-feira, 28 de novembro de 2012 16:08 BRST
 

BRASÍLIA, 27 Nov (Reuters) - Após forte pressão, o relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), modificou nesta quarta-feira o relatório apresentado na semana passada e desistiu de pedir o indiciamento de jornalistas e a investigação do procurador-geral da República, e mesmo assim não há garantias de que o parecer será aprovado pela comissão.

Cunha foi pressionado pela cúpula petista e por aliados na comissão parlamentar a retirar essas partes do seu relatório porque havia indiciado jornalistas que sequer foram ouvidos pela CPI e pedido a investigação de Roberto Gurgel num gesto que foi interpretado como vingança do PT contra o procurador que apresentou a denúncia para o julgamento do mensalão.

Apesar de ceder às pressões, Cunha ainda não conseguiu garantir apoio dos aliados para aprovação de seu parecer. Na terça-feira, ele passou o dia em reuniões com membros da CPI tentando costurar um acordo sobre o texto para garantir a aprovação da peça.

"Garantias (de aprovação) nunca se tem", disse ele aos jornalistas após a sessão da CPI nesta quarta.

Segundo ele, essas partes puderam ser retiradas do relatório porque não eram pontos centrais da investigação e porque podem viabilizar a aprovação do texto.

Apesar de não ter garantido apoio formal ao seu texto, o recuo do relator parece ter quebrado algumas resistências na comissão. O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), por exemplo, mudou de posição com as mudanças.

Na semana passada, quando o relatório foi apresentado, o pedetista disse que trabalharia para derrubar o texto na CPI e que ele era incorrigível. Nesta quarta, Teixeira disse que as modificações fizeram ele mudar de lado e, agora, quer a aprovação do parecer.

"O que aconteceu é que tiraram a cortina de fumaça que havia sobre o relatório com a retirada dos jornalistas e do procurador-geral. Agora, quem é contra o indiciamento do (Marconi) Perillo (governador de Goiás) e do (Fernando) Cavendish (dono da empreiteira Delta) terá que se manifestar publicamente", argumentou.

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