Caos logístico brasileiro se revela com previsão de safra recorde

quarta-feira, 28 de novembro de 2012 17:21 BRST
 

Por Caroline Stauffer e Peter Murphy

SÃO PAULO/BRASÍLIA, 28 Nov (Reuters) - Gargalos logísticos e atrasos nos transportes previstos para o início do próximo ano no Brasil deverão desacelerar o fluxo de uma safra recorde de soja para compradores ao redor do mundo, que estão contando com a América do Sul para preencher o vazio deixado pela quebra de colheita nos EUA, atingidos por uma seca.

Começam a crescer as dúvidas de que o Brasil consiga escoar até 20 por cento a mais de soja através de uma rede de transporte carente de caminhões, estocagem e capacidade portuária, deixando importadores e traders vulneráveis.

"O Brasil não está preparado para esta colheita, nós precisamos resolver nosso problema logístico com urgência", disse Antonio Alvarenga, presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA).

Apesar de ser improvável que o Brasil venha a descumprir seus contratos de exportação, atrasos podem levar compradores a buscar suprimentos nos EUA, pagando preços mais altos, ameaçando as aspirações do país de se tornar o maior fornecedor de soja após os Estados Unidos terem reduzido sua produção neste ano.

Atrasos nos portos já fizeram com que o Japão cancelasse um pedido de milho brasileiro e comprasse dos EUA, depois que um importador reclamou de atraso no embarque em setembro.

"E isso acontece numa época em que o Brasil não tem nenhuma soja!", disse o analista Steve Cachia, da Cerealpar, a respeito da desistência japonesa.

"Quero acreditar que não teremos problemas sérios, mas veremos volumes altos... Abril e maio serão os piores meses", disse ele à Reuters.

Em janeiro, o Brasil iniciará a colheita de uma safra de soja estimada para ser recorde em 81 milhões de toneladas, um volume que deverá colocar o país como maior produtor mundial da oleaginosa, ultrapassando os EUA pela primeira vez.   Continuação...