Com crise longe do fim, BCE e FMI cobram reformas na zona do euro

sexta-feira, 30 de novembro de 2012 12:00 BRST
 

Por Daniel Flynn e Leigh Thomas

PARIS, 30 Nov (Reuters) - A crise na zona do euro está longe de terminar, e seus membros precisam consolidar seus orçamentos e forjar uma união bancária para tornar o bloco economicamente mais estável, disseram dirigentes do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu na sexta-feira.

Salientando os problemas da zona do euro, dados mostraram que as vendas do varejo na Alemanha e os gastos do consumidor na França caíram mais do que se esperava, e que a inflação teima em se manter na Espanha, provocando aumentos nos gastos previdenciários que complicam ainda mais a situação orçamentária do país.

Mais 173 mil pessoas entraram para a fileira dos desempregados em outubro nos países que têm o euro como moeda. Ao mesmo tempo, a queda na inflação ofereceu um alívio apenas limitado para famílias assoladas pela recessão.

Falando em Paris, o presidente do BCE, Mario Draghi, disse que a crise na zona do euro, iniciada há três anos, deve se prolongar no ano que vem. "Ainda não emergimos da crise", disse ele à rádio Europe 1.

"A recuperação na maior parte da zona do euro certamente irá começar no segundo semestre de 2013... É verdade que a consolidação orçamentária acarreta uma contração de curto prazo da atividade econômica, mas essa consolidação orçamentária é inevitável", acrescentou.

Os diretores do BCE realizam na semana que vem sua reunião mensal de política monetária, e a previsão é de que mantenham os juros baixos, em 0,75 por cento ao ano. Economistas estão divididos sobre o comportamento dos juros europeus no ano que vem.

Draghi salientou que o BCE está disposto a contribuir com a solução da crise por meio da compra de volumes potencialmente ilimitados de títulos soberanos, conforme um plano recém-aprovado para a aquisição de títulos. Mas, até que a Espanha solicite ajuda, um pré-requisito para a intervenção do BCE, essa ferramenta não pode ser usada.

Resistindo à intervenção do BCE, o presidente do Bundesbank (Banco Central alemão), Jens Weidmann, disse na quinta-feira que os BCs europeus já fizeram mais do que o suficiente para combater a crise, e que agora cabe aos governos reformarem suas economias e solidificarem seus setores bancários.   Continuação...

 
Diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde (E), e presidente do BCE, Mario Draghi, vão à coletiva de imprensa no ministério de Economia, em Paris. A crise na zona do euro está longe de terminar, e seus membros precisam consolidar seus orçamentos e forjar uma união bancária para tornar o bloco economicamente mais estável, disseram dirigentes do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu. 30/11/2012 REUTERS/Charles Platiau