Portadores de deficiência protestam na Espanha contra austeridade

domingo, 2 de dezembro de 2012 14:54 BRST
 

Por Pablo Rodero

MADRI, 2 Dez (Reuters) - Milhares de pessoas com deficiência e suas famílias protestaram em Madri neste domingo contra cortes de benefícios, unindo-se ao movimento de protestos contra as medidas de austeridade do governo.

Muitos estavam em cadeiras de rodas. Eles carregaram cartazes dizendo "SOS" e gritavam "Deficientes, abandonados", durante a manifestação pelo centro da capital.

O governo de centro-direita do país introduziu mais de 60 bilhões de euros em cortes de gastos desde que assumiu o poder no fim do ano passado, os quais reduziram também pagamentos a quatro milhões de portadores de deficiência da Espanha.

"Esse dia é histórico. Os deficientes nunca tomaram as ruas antes. Nós estamos aqui fora e nós não vamos voltar", disse o presidente do Comitê de Representantes de Pessoas com Deficiência da Espanha, Luis Cayo.

Os protestos estão sendo feitos quase diariamente na Espanha. Grupos incluindo professores, mineradores, trabalhadores do setor de saúde e estudantes têm organizado manifestações contra austeridade, algumas vezes atraindo centenas de milhares de pessoas.

Trabalhadores do setor de saúde em Madri entraram em greve por dois dias na semana passada e alguns médicos na região estão em greve por período indeterminado.

"Os cortes estão nos condenando à exclusão social. Isso não é a única coisa que precisamos, mas é um bom começo", afirmou Monica, de 39 anos, que estava numa cadeira de rodas e viajou para Madri do norte da região da Galícia para participar do protesto.

(Reportagem adicional de Silvio Castellanos)

 
Pessoas em cadeiras de rodas carregam bandeiras e cartazes durante protesto contra cortes do governo para pessoas com deficiência em Madri, Espanha. Milhares de pessoas com deficiência e suas famílias protestaram em Madri neste domingo contra cortes de benefícios, unindo-se ao movimento de protestos contra as medidas de austeridade do governo. 02/12/2012 REUTERS/Andrea Comas