ESPECIAL-Um estudo de caso sobre os problemas econômicos do Brasil

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012 19:51 BRST
 

Por Brian Winter

SÃO PAULO, 3 Dez (Reuters) - Um bom exemplo de por que a economia do Brasil está claudicando pode ser encontrado em um local surpreendente: uma cidade litorânea no sul da Escandinávia.

O fundo de investimentos Skagen, com sede em Stavanger, na Noruega, diz ter perdido cerca de 200 milhões de dólares desde agosto por causa da mais recente intervenção da presidente Dilma Rousseff na economia brasileira --um plano para forçar as empresas do setor elétrico a reduzirem o valor das suas tarifas.

Dilma diz que o plano é necessário para cortar os custos para o setor industrial e para outros consumidores. O dano colateral tem sido enorme, já que a perspectiva de uma drástica redução nos lucros eliminou 15 bilhões de dólares do valor de mercado das empresas brasileiras do setor elétrico, incluindo a Eletrobras, na qual a Skagen tem uma grande participação.

Esse foi um dos vários episódios em que investidores se assustaram com a mão pesada de um governo esquerdista, segundo Kristian Falnes, gerente de carteira do fundo global da Skagen.

"Não somos os únicos sendo afetados", disse Falnes por telefone da Noruega, na semana passada. "Há muita desconfiança em relação ao governo Rousseff por causa de casos assim."

Dados divulgados na sexta-feira da semana passada sugerem que tal desconfiança está cobrando um preço alto. Os investimentos no Brasil caíram entre julho e setembro pelo quinto trimestre consecutivo, condenando a economia a um crescimento de apenas 0,6 por cento no trimestre --metade do que os mercados financeiros esperavam.

A maior economia latino-americana deve agora fechar o ano com crescimento de apenas 1,3 por cento, provavelmente o pior desempenho entre os países dos Brics (grandes economias emergentes, o que inclui também Rússia, Índia, China e África do Sul). Mesmo economias desenvolvidas devem crescer em média mais do que o Brasil em 2012.

Dilma e sua equipe econômica atribuem os problemas brasileiros à crise global. Eles dizem que os temores com o ativismo governamental são deslocados, e preveem uma recuperação em breve.   Continuação...