Dilma faz balanço e ainda espera efeito pleno de medidas econômicas

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012 16:25 BRST
 

Por Hugo Bachega

BRASÍLIA, 5 Dez (Reuters) - Falando a uma plateia de empresários da indústria, o setor mais castigados pelos efeitos da crise internacional no Brasil, a presidente Dilma Rousseff fez uma espécie de balanço econômico informal de seus primeiros dois anos de governo e afirmou que o país ainda não sentiu completamente os efeitos das medidas de estímulo.

"Várias medidas que nós tomamos em 2012 ainda não têm seus efeitos completos apresentados. Nós temos certeza que elas irão se difundir pelo sistema econômico e vão sinalizar um novo estágio do nosso desenvolvimento", disse Dilma, durante o Encontro Nacional da Indústria, em Brasília.

"Eu acredito que uma indústria forte é o nó estratégico para que o Brasil tenha de fato um desenvolvimento sustentável", disse ela, que foi aplaudida diversas vezes pela plateia de empresários.

O governo tem agido em diversas frentes num esforço para melhorar a competitividade, incentivar o investimento e reativar a economia, que teve um crescimento bem abaixo do esperado no terceiro trimestre e caminha para uma expansão de 1,3 por cento em 2012, segundo um estimativa do mercado que deve ser revisada ainda mais para baixo.

A produção industrial respondeu em outubro, registrando crescimento pela primeira vez na comparação anual em 13 meses. Mas a expansão ficou abaixo do esperado na comparação com o mês anterior, levando economistas a colocar em dúvida se esses dados indicam uma tendência de alta sustentável do setor.

Dilma disse que o país vive um "período de transição", citando a redução das taxas de juro neste ano --a Selic encerrará 2012 no menor nível histórico, a 7,25 por cento ao ano-- e a desvalorização do real, decorrente de medidas do governo, o que forma um "mix favorável" à redução do custo de capital do país.

"Nós chegamos a isso há poucos meses. Vivemos, portanto, um período de transição, no qual os investimentos no setor real da economia tenderão ser mais atrativos do que as demais oportunidades de investimento", disse ela.

O governo também tem incentivado diversos setores produtivos, como automotivo, construção civil, têxtil e calçados, com isenções fiscais e desoneração da folha de pagamento. Críticos dessa política consideram as ações como paliativas e reclamam a falta de uma reforma tributária completa.   Continuação...

 
Presidente Dilma Rousseff vai à cerimônia para comemorar entrega de 1 milhão de casas pelo programa “Minha Casa, Minha Vida”, no Palácio do Planalto. Dilma Rousseff afirmou que o Brasil ainda não sentiu o efeito completo das medidas anunciadas pelo governo para estimular a economia e que, para os objetivos do governo, o crescimento da indústria terá de ser muito mais forte. 4/12/2012 REUTERS/Ueslei Marcelino