OBITUÁRIO-Niemeyer, mestre da arquitetura poética

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012 07:44 BRST
 

RIO DE JANEIRO, 6 Dez (Reuters) - Oscar Niemeyer imaginou e desenhou grandes marcos da arquitetura mundial seguindo os passos de sua poesia própria, as curvas tropicais do Rio de Janeiro e a ideologia comunista. Lúcido até os últimos dias com 104 anos, planejava levar adiante seus projetos, depois de deixar um legado de centenas de obras pelo mundo.

Os traços leves e certeiros traduziram sua maneira moderna, inovadora e ousada de enxergar o mundo em mais de 70 anos debruçados sobre sua arte. Nem mesmo o centenário o afastou das pranchetas. O complexo arquitetônico Caminho de Niemeyer, em Niterói, projetado e assinado por ele, ainda está em construção.

Em sua mais conhecida construção de palavras, ele revelou sua base de inspiração ao descrever que "não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida".

O arquiteto carioca, nascido em 15 de dezembro de 1907, ficou famoso por projetos que se tornaram cartão-postal de Belo Horizonte, no bairro da Pampulha, nos anos 1940, e de Brasília, dez anos mais tarde, com a construção da nova capital federal.

De olho nas formas barrocas do Brasil colonial e contra a postura rígida do Estilo Internacional, escola do pós-guerra, Niemeyer perseguiu uma arquitetura orgânica, aliada às formas da natureza, tomando a dianteira do modernismo brasileiro.

Niemeyer formou-se engenheiro arquiteto no Rio, em 1934. Trabalhou de graça nos anos seguintes no escritório de Lúcio Costa e Carlos Leão, participando dos estudos para a construção da sede do Ministério da Educação e Saúde no Rio, conhecido com Palácio Capanema e considerado o primeiro monumento do modernismo na América Latina.

Foi nessa época que travou contato com o arquiteto franco-suíço Le Corbusier (1887-1965), pensador revolucionário que exerceu grande influência nos artistas brasileiros durante suas visitas ao país.

No escritório de Lúcio Costa, Niemeyer também teve oportunidade de trabalhar em 1939 no Pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York, primeira amostra ao público internacional da nova arquitetura que vinha sendo feita nos trópicos.

Anos mais tarde, em 1947, Niemeyer voltaria à mesma cidade para projetar com um grupo de arquitetos renomados, incluindo Le Corbusier, a sede da Organização das Nações Unidas (ONU).   Continuação...

 
Museu de Arte Contemporânea, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, em Niterói, em janeiro deste ano. Niemeyer morreu na quarta-feira de infecção respiratória aos 104 anos. REUTERS/Clarissa Cavalheiro 07/01/2012