7 de Dezembro de 2012 / às 15:53 / em 5 anos

Dilma cita importância de Mercosul forte e saúda adesão da Bolívia

A presidente Dilma Rousseff sorri durante reunião de cúpula do Mercosul, no Palácio do Itamaraty, em Brasília. 07/12/2012 REUTERS/Ueslei Marcelino

Por Hugo Bachega

BRASÍLIA, 7 Dez (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff disse nesta sexta-feira que o fortalecimento do Mercosul é importante para que os países do bloco enfrentem as turbulências do mercado internacional, e saudou a adesão da Bolívia ao grupo, marcado por disputas protecionistas no último ano.

Dilma, que tem implementado diversas medidas para aumentar a competitividade da indústria numa tentativa de reanimar a economia brasileira, destacou a capacidade de produção dos países do bloco, que formam um mercado de “grandes dimensões”, e pediu por maior integração comercial entre as nações.

“A permanência desse cenário global de crise torna ainda mais evidente a importância da nossa integração, que é o que fará cada um de nós mais fortes e mais aptos a enfrentar as turbulências do mercado internacional”, disse Dilma na abertura da reunião com chefes de Estado do bloco, cuja principal ausência foi o presidente venezuelano, Hugo Chávez.

“O Mercosul, nas condições em que estamos, tem que integrar-se cada vez mais através do comércio, através de suas cadeias produtivas, melhorando sua competitividade”, disse ela.

A presidente citou a aspiração dos países do bloco --tradicionais exportadores de matéria-prima-- de aperfeiçoar a produção e inovação, o que requer a “expansão da infraestrutura logística, capacitação massiva em áreas técnicas e em setores estratégicos”.

A melhora da infraestrutura, área em que os investimentos foram mínimos nas últimas décadas devido a sucessivas crises nos países da região, é um dos assuntos que serão discutidos pelos presidentes, que também deverão abordar as recentes medidas de protecionismo que colocaram em conflito integrantes do bloco.

Dilma e a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, terão uma reunião bilateral após a cúpula para discutir questões envolvendo as duas maiores economias da região. Será o segundo encontro entre as líderes em duas semanas --na semana passada, Dilma fez uma viagem relâmpago à Argentina para participar de evento da indústria local.

A cúpula discute também a expansão do Mercosul, bloco comercial criado em 1991 também por Paraguai e Uruguai, e o comércio com a União Europeia.

Dilma deu boas vindas à Bolívia, cujo processo de adesão como membro pleno ao bloco está em fase avançada, e citou diálogo exploratório para a inclusão do Equador, cuja economia é dolarizada. Os presidentes de ambos os países, Evo Morales e Rafael Corrêa, foram a Brasília participar do encontro.

O processo de adesão de novos integrantes inclui a aprovação do Parlamento de todos os países membros. A única expansão do Mercosul ocorreu em agosto deste ano, quando houve a entrada da Venezuela.

SEM CHÁVEZ, SEM PARAGUAI

O encontro encerra a presidência rotativa do Brasil e é o primeiro a ter a Venezuela como membro pleno do bloco, mas não terá a presença do presidente Hugo Chávez, o que alimentou rumores sobre seu real estado de saúde, após ter sido diagnosticado com câncer por duas vezes nos últimos dois anos.

Chávez, de 58 anos, reapareceu em Caracas nesta sexta, após ter passado por tratamento médico relacionado ao câncer em Cuba.

O líder socialista era esperado no encontro em Brasília e não houve uma justificativa oficial para sua ausência. A Venezuela será representada no encontro pelo ministro de Energia e Hidrocarbonetos, Rafael Ramirez.

A cúpula abordará o ingresso da Bolívia, que está em processo avançado, e Equador, ainda em fase informal, ao bloco formado por Brasil, Argentina, Uruguai, Venezuela e Paraguai, que segue suspenso devido ao processo relâmpago que levou ao impeachment do ex-presidente Fernando Lugo, em junho.

O bloco manteve a suspensão do país até a realização das próximas eleições presidenciais, em abril do ano que vem. A adesão venezuelana se deu à revelia do Paraguai, cujo Congresso era o único a não ter aprovado a entrada do país.

O presidente do Uruguai, José Mujica, assumirá a presidência temporária do bloco.

Reportagem adicional de Esteban Israel e Anthony Boadle

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