Produção de veículos terá 1a queda desde 2002, deve crescer em 2013

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012 18:32 BRST
 

Por Alberto Alerigi

SÃO PAULO, 7 Dez (Reuters) - A indústria brasileira de veículos vai fechar 2012 com uma queda de 1,5 por cento na produção --o primeiro recuo anual desde 2002--, com a fabricação de 3,36 milhões de unidades, apesar da redução dos impostos e restrições às importações adotadas pelo governo, informou a Anfavea nesta sexta=feira.

O setor, responsável por 23 por cento do Produto Interno Bruto industrial do Brasil, esperava registrar neste ano o nono recorde consecutivo de produção, com alta de 2 por cento. Mas as expectativas foram frustradas pelo recuo de dois dígitos das exportações e do fraco desempenho da economia brasileira.

"(A produção de veículos) só não chegou aos 2 por cento de alta por causa das exportações que não conseguimos realizar, seja pela falta de competitividade do país, seja pela existência de uma capacidade ociosa de produção mundial de 29 milhões de veículos", disse o presidente da Anfavea, Cledorvino Belini, a jornalistas nesta sexta-feira.

Para o próximo ano, a entidade, que representa as montadoras instaladas no país, prevê alta de 4,5 por cento na produção, apoiada em um cenário de maior crescimento econômico e de proteção do mercado interno por conta da entrada em vigor do novo regime automotivo Inovar-Auto e das cotas de comércio com o México.

"Entendemos que seja possível o crescimento de 4,5 por cento porque isso está muito alinhado com as expectativas para o PIB. O desemprego está baixo, há aumento da renda real no Brasil, os juros estão baixos e há sinalizações de que pode cair mais", disse Belini.

A Anfavea estima crescimento das vendas no mercado interno de 3,5 a 4,5 por cento em 2013, para entre 3,94 milhões e 3,98 milhões de veículos. Se confirmado, será o sétimo recorde consecutivo de vendas do setor.

A previsão da Anfavea é mais otimista que a divulgada nesta semana pela quarta maior montadora do país, a Ford, que estimou que as vendas de veículos novos no Brasil crescerão entre 2 e 4 por cento no próximo ano.

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