Crise política inicia campanha na Itália, com mercados atentos

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012 07:38 BRST
 

Por Steve Scherer e Lisa Jucca

ROMA/MILÃO, 10 Dez (Reuters) - A iminente renúncia do primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, desencadeou a campanha para as eleições previstas para fevereiro, com os mercados financeiros agitados diante da expectativa da volta das antigas crises políticas italianas.

No sábado, o premiê de 69 anos, um ex-comissário europeu, inesperadamente revidou contra o partido Povo da Liberdade (PDL), de Silvio Berlusconi, que deu início à crise retirando seu apoio ao governo na semana passada.

Após encontro com o presidente Giorgio Napolitano, no sábado, Monti anunciou que iria renunciar assim que o orçamento de 2013 for aprovado.

A votação já estava prevista para não mais tarde do que abril, e a decisão de Monti provavelmente vai antecipá-la para fevereiro. Mas a saída do premiê pode preocupar os mercados especialmente depois que Berlusconi anunciou a intenção de concorrer a um quinto mandato como primeiro-ministro.

Berlusconi foi forçado a renunciar durante a crise da dívida da zona do euro que atingiu fortemente a Itália, depois que seu governo adiou reformas necessárias, e em meio a um escândalo sexual envolvendo prostitutas em suas infames festas "bunga bunga".

Pesquisas de opinião indicam poucas chances de sucesso para o bilionário de 76 anos, com o Partido Democrático (centro-esquerda), sob comando de Pier Luigi Bersani, mantendo uma forte liderança. Mas a campanha pode renovar as incertezas sobre o compromisso da Itália com as reformas.

Bersani, um ex-comunista que é ligado aos sindicatos, prometeu manter as promessas de disciplina fiscal que a Itália tem feito aos parceiros europeus, e disse que Monti deve continuar a desempenhar um papel no governo após a eleição.

O principal termômetro da confiança dos investidores, o rendimento dos títulos de 10 ano do governo italiano, ficou em 4,5 por cento no final da semana passada. Isso era 323 pontos acima do equivalente alemão de menor risco, mas bem abaixo do pico de 7,3 por cento atingido no ano passado, quando a diferença com os bunds alemães atingiu 550 pontos.   Continuação...