Crise na Itália atinge mercados e Europa elogia Monti

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012 14:50 BRST
 

Por James Mackenzie

ROMA, 10 Dez (Reuters) - Parceiros europeus elogiaram o primeiro-ministro italiano, Mario Monti, nesta segunda-feira, e pediram ao próximo governo para manter a agenda de reformas depois de sua surpreendente decisão de renunciar ter sacudido os mercados financeiros.

O anúncio de Monti no fim de semana de que ele deixaria o cargo mais cedo -- feito após o partido PDL, do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, ter retirado o apoio ao seu governo tecnocrata - elevou os custos de empréstimos da Itália e provocou uma onda de vendas no mercado de ações.

A campanha para a eleição prevista para fevereiro deve ser disputada em torno da agenda de reforma de Monti, que Berlusconi disse ter condenado a Itália à recessão e o obrigado a relutantemente concorrer a um quinto mandato como primeiro-ministro.

Por outro lado, autoridades europeias advertiram que as políticas de Monti devem continuar para evitar o retorno da crise que o levou ao poder há um ano e evitar um colapso ao estilo da Grécia.

"Monti foi um grande primeiro-ministro da Itália e espero que as políticas postas em prática por ele continuem depois das eleições", disse o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, em Oslo, onde ele fazia parte de uma delegação da União Europeia para receber o Prêmio Nobel da Paz.

Os comentários ecoaram observações semelhantes nos últimos dois dias de políticos europeus, que vão desde o chanceler francês, Laurent Fabius, ao chefe do fundo de resgate europeu, Klaus Regling, e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso.

Depois de várias semanas de calmaria, os mercados se agitaram com a perspectiva de retorno de Berlusconi para liderar a centro-direita, pouco mais de um ano depois de uma crise financeira levar o bilionário marcado por escândalos a ser substituído no cargo pelo tecnocrata Monti.

Pesquisas de opinião sugerem que Berlusconi tem pouca chance de reeleição. O Partido Democrático (PD) de centro-esquerda, sob comando de Pier Luigi Bersani, detém uma forte liderança e provavelmente deve formar o próximo governo em uma plataforma amplamente pró-europeia, em consonância com a agenda de Monti.   Continuação...

 
Líderes europeus olham para murais no City Hall, durante a cerimônia do Nobel da Paz 2012 em Oslo. Da esquerda para a direita: presidente da França, François Hollande, presidente da Lituânia, Dalia Grybauskaite, presidente da Romênia, Traian Basescu, (segunda fileira): primeiro-ministro da Bélgica, Elio Di Rupo, o primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, primeiro-ministro da Finlândia Jyrki Katainen e o primeiro-ministro da Dinamarca, Helle Thorning-Schmidt. 10/12/2012 REUTERS/Suzanne Plunkett