Crise se agrava no Egito; empréstimo do FMI é adiado

terça-feira, 11 de dezembro de 2012 16:33 BRST
 

Por Yasmine Saleh e Marwa Awad

CAIRO, 11 Dez (Reuters) - Um empréstimo vital de 4,8 bilhões de dólares do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao Egito será adiado para até o mês que vem, informou o ministro das Finanças egípcio nesta terça-feira, intensificando a crise política que afeta o país mais populoso do mundo árabe.

Enquanto facções rivais reuniam-se no Cairo e em Alexandria para uma nova rodada de manifestações, o ministro das Finanças, Mumtaz al-Said, afirmou que o atraso do empréstimo se destinava a ganhar tempo para explicar as medidas do pacote de austeridade econômica ao povo egípcio.

O anúncio foi feito depois que o presidente Mohamed Mursi recuou, na segunda-feira, de seus planos de aumentar os impostos, considerados chave para a obtenção do empréstimo. Os grupos da oposição criticaram duramente o pacote fiscal, que inclui taxações sobre bebidas alcoólicas, cigarros e uma série de bens e serviços.

"É claro que o adiamento terá algum impacto econômico, mas estamos discutindo as medidas necessárias (para lidar com isso) durante o próximo período", disse o ministro à Reuters. E acrescentou: "Estou otimista... tudo ficará bem, se Deus quiser."

O primeiro-ministro Hisham Kandil disse que o Egito solicitou o adiamento do empréstimo por um mês.

"Os desafios são econômicos e não políticos e precisam ser lidados em separado da política", afirmou ele em uma entrevista coletiva.

Kandil disse que as reformas não afetarão os pobres. Pão, açúcar e arroz não serão atingidos, mas o cigarro e o óleo de cozinha subirão e serão impostas multas para quem jogar lixo na rua. Na tentativa de reconstruir um consenso, ele disse que haverá um diálogo nacional sobre o programa econômico na semana que vem.

Em Washington, o FMI informou que o Egito solicitou o adiamento do empréstimo "à luz dos acontecimentos que se desenvolvem no local". O Fundo mantinha-se pronto para consultas com o Egito na retomada das discussões sobre o empréstimo congelado, afirmou uma porta-voz.   Continuação...

 
Manifestantes anti-Mursi cantam slogans na Praça de Tahrir, em Cairo, Egito. 11/12/2012 REUTERS/Mohamed Abd El Ghany