13 de Dezembro de 2012 / às 11:33 / 5 anos atrás

Vendas no varejo sobem 0,8% em outubro, maior ritmo desde julho

Por Rodrigo Viga Gaier

Consumidores olham produtos em loja das Casas Bahia, em São Paulo. As vendas no varejo brasileiro aceleraram a alta em outubro, para 0,8 por cento ante setembro, e registraram elevação de 9,1 por cento em relação a igual mês de 2011, indicando que a recuperação da atividade pode estar acontecendo, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 04/12/2009 REUTERS/Paulo Whitaker

RIO DE JANEIRO, 13 Dez (Reuters) - As vendas no varejo brasileiro subiram no maior ritmo desde julho passado, com crescimento pelo quinto mês seguido em outubro, indicando que a recuperação da atividade pode estar acontecendo em meio às medidas do governo para dar suporte à demanda.

Em outubro, as vendas do setor aceleraram a alta a 0,8 por cento sobre setembro, quando haviam crescido 0,3 por cento, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira. Em julho, a expansão havia sido de 1,3 por cento.

Já na comparação com o mesmo mês de 2011, houve elevação de 9,1 por cento em outubro nas vendas, com a renda e o emprego em alta sustentando o consumo.

Analistas ouvidos pela Reuters previam que as vendas registrariam alta mensal de 0,9 por cento em outubro e de 9 por cento sobre outubro de 2011.

“O consumo está mais diluído ao longo do ano e as pessoas não esperam o décimo terceiro (salário) para consumir”, afirmou o economista do IBGE Reinaldo Pereira, explicando a aceleração na alta das vendas em outubro.

Para analistas, no entanto, a melhor recuperação do varejo ainda demanda cuidado, já que está baseada em medidas pontuais de estímulos feitas pelo governo, como redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para linha branca.

“Ainda é preciso ficar cauteloso. Não vejo uma trajetória sustentada de expansão das vendas que poderia beneficiar a produção industrial”, disse o consultor de pesquisas econômicas do Banco Tokyo-Mitsubish, Mauricio Nakahodo, lembrando que o alto endividamento do consumidor limita continuidade da expansão das vendas.

CRESCIMENTO

Segundo o IBGE, das oito atividades que compõem o índice, cinco registraram crescimento em outubro sobre o mês anterior, com destaque para Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, com alta de 18,4 por cento; Livros, jornais, revistas e papelaria, com 5,2 por cento.

As vendas de Móveis e eletrodomésticos avançaram 1,4 por cento, enquanto que as Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, 0,4 por cento.

Na ponta oposta, Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos registraram queda de 0,1 por cento e as vendas de Tecidos, vestuário e calçados, recuaram 2,2 por cento.

Na comparação anual, ainda segundo o IBGE, todas as atividades registraram expansão, sendo que Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo tiveram alta nas vendas de 6,7 por cento e Móveis e eletrodomésticos, de 13 por cento. Já as vendas de equipamentos e Materiais para escritório, informática e comunicação avançaram 16,6 por cento.

O crescimento de apenas 0,6 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre mostrou que a economia brasileira ainda não havia conseguido acelerar, devido principalmente à pior retração dos investimentos em mais de três anos.

A aceleração nas vendas no varejo em outubro era esperada, já que outros indicadores já apontavam para esse movimento e reforçam a percepção de que a economia está crescendo de forma gradual.

As vendas de supermercados, que representam cerca de metade do índice restrito de vendas no varejo, tiveram alta de 2,2 por cento em outubro ante setembro, segundo a associação nacional do setor Abras.

AUTOMÓVEIS

Em relação às vendas do comércio varejista ampliado --que inclui o setor automotivo e material de construção --o IBGE informou houve alta de 8 por cento em outubro ante setembro, o melhor resultado desde junho de 2009 (+8,8 por cento), quando também houve redução do IPI para estimular da economia.

Neste caso, o desempenho foi impactado pelo segmento de Veículos e motos, partes e peças, com alta de 13,3 por cento. Já as vendas de materiais de construção tiveram expansão de 2,8 por cento no período.

Na comparação com o mesmo do ano passado, as vendas de veículos aumentaram 24 por cento, devido, segundo o IBGE, “à política de renúncia fiscal do governo elaborada a partir da redução do IPI para os veículos.”

Em outubro, as vendas de veículos subiram 18,6 por cento, após o governo prorrogar a extensão da alíquota reduzida do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do setor até o fim do ano.

Para Pereira, do IBGE, os resultados de agora já garantem uma melhor performance do setor neste ano comparado com 2011, quando as vendas cresceram 6,7 por cento. Com isso, acrescentou ele, o fechamento de 2012 deve ser aproximar dos dois dígitos.

Reportagem adicional de Diogo Ferreira Gomes, no Rio de Janeiro, e Silvio Cascione, em São Paulo

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