Após banir aditivo, Brasil pode exportar mais carne à Rússia

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012 19:27 BRST
 

Por Polina Devitt

MOSCOU/BRASÍLIA, 13 Dez (Reuters) - O Brasil pode acabar por aumentar suas exportações de carne bovina para a Rússia, seu maior comprador, após banir um controverso aditivo que promove o crescimento muscular em animais como suínos e bovinos, disse o órgão russo de controle da segurança alimentar nesta quinta-feira.

A Rússia intensificou os testes sobre as carnes importadas dos EUA e Canadá para identificar os traços do aditivo, um beta-bloqueador chamado ractopamina, na segunda-feira, e exigiu que as duas nações certifiquem suas carnes como livres da substância. Somente as exportações dos EUA para a Rússia valem cerca de 500 milhões de dólares.

A ractopamina está em uma classe de medicamentos conhecidos como inibidores ou bloqueadores que neutralizam os efeitos da adrenalina no sistema nervoso e diminuírem a frequência cardíaca. Na pecuária, promove ganho muscular.

O Brasil baniu o uso da ractopamina em 12 de novembro e eventualmente planeja ter um sistema segregado que possibilite a produção de carnes sem ractopamina para alguns compradores tais como a Rússia, e a utilização da substância na produção para exportação para outros destinos.

O órgão de segurança alimentar da Rússia, Rosselkhoznadzor, disse estar satisfeito com as garantias brasileiras, e afirmou que o Brasil pode, como resultado, aumentar sua atual participação nas importações russas de carne bovina, agora em torno de 43 por cento. Um aumento provavelmente causaria diminuições nas compras de carnes norte-americanas e canadenses enquanto a questão do teste de certificação não é resolvida.

"Está tudo certo com a carne brasileira. Eles garantiram que a carne que vem para a Rússia será livre de ractopamina", disse Alexei Alekseenko, porta-voz do Rosselkhoznadzor, à Reuters.

"Esta é uma medida bastante interessante pois eles poderão manter sua participação no mercado russo, e até aumentá-la", disse Alekseenko.

A Rússia importou 1,25 milhão de toneladas de carne vermelha, no valor de 4,47 bilhões dólares, de países não pertencentes à Comunidade de Estados Independentes (CEI) em 2011, com exclusão das miúdos, segundo dados aduaneiros oficiais.   Continuação...