ENTREVISTA-CHS se prepara para dobrar negócios de grãos na América do Sul

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012 14:22 BRST
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 14 Dez (Reuters) - Após concluir três importantes aquisições no Brasil ao longo de 2012, a multinacional do agronegócio CHS avalia ter preparado terreno para seguir no caminho de um crescimento forte na América do Sul e tem meta de dobrar a negociação de grãos e oleaginosas da unidade sul-americana no período de cinco anos, disse o principal executivo da companhia na região.

Com apenas dez anos de atuação no Brasil, a CHS --maior cooperativa de agricultores dos Estados Unidos-- encerrará 2012 com negociação de 4 milhões de toneladas de grãos nos dois principais produtores agrícolas da América do Sul (Brasil e Argentina) e um faturamento de 1,5 bilhão de dólares, ainda um montante pequeno perto do recorde de 40,6 bilhões de dólares em vendas totais registradas pela companhia neste ano.

Mas os planos da empresa, que usou o Brasil como porta de entrada no Mercosul, são ambiciosos para a região sul-americana.

"A CHS cresceu na América do Sul a 40 por cento ao ano (na movimentação de mercadorias) nos últimos cinco anos, e o nosso plano é continuar crescendo a 20 por cento ao ano nos próximos cinco anos, a partir de uma base que ficou maior", disse à Reuters Stefano Rettore, o presidente-executivo no Brasil e responsável pelas operações sul-americanas da companhia.

Com isso, a chamada "originação" de grãos na região passaria para 8 milhões de toneladas em cinco anos, um volume equivalente a cerca de 10 por cento da safra brasileira de soja esperada para a temporada 2012/13. A movimentação de fertilizantes saltaria dos atuais 300 mil para 1 milhão de toneladas --a propósito, o Brasil representou cerca de 70 por cento dos ganhos da CHS na América do Sul, negócios esses baseados principalmente na oleaginosa.

Após vender em 2011 sua participação na trading brasileira Multigrain por 225 milhões de dólares para a japonesa Mitsui, a CHS desenhou um plano estratégico para a região, com foco importante no avanço das operações no Cerrado brasileiro, e saiu às compras de ativos que pudessem possibilitar seus objetivos.

A empresa comprou neste ano 25 por cento de participação em um terminal de grãos em construção no porto de Itaqui (MA), que a partir de 2014 será um importante canal de escoamento de produtos da região Centro-Oeste e da crescente fronteira agrícola dos Estados do Maranhão, Piauí, Tocantins (conhecida como Mapito).

A CHS adquiriu 100 por cento da Atman, empresa situada em Goiás especializada em trocas de insumos por grãos ("barter") e levou também 50 por cento da Andali, com atuação forte no porto de Paranaguá (PR), especializada em logística, armazenagem e industrialização de fertilizantes.   Continuação...

 
Trabalhador anda em plantação de soja em fazenda na cidade de Tangara da Serra, em Cuiabá. Foto de Arquivo. 27/03/2012 REUTERS/Paulo Whitaker