Novo premiê do Japão pressiona BC, promete acordo com China
Por Leika Kihara e Kaori Kaneko
TÓQUIO, 17 Dez (Reuters) - O futuro primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, animado com a incontestável vitória eleitoral de domingo, pressionou nesta segunda-feira o Banco Central a adotar medidas mais agressivas de estímulo monetário em sua próxima reunião.
Abe disse que, depois que formar seu gabinete, no dia 26, vai instruir os ministros a produzirem uma declaração conjunta com o Banco do Japão (banco central) instituindo uma meta anual de inflação de 2 por cento, o dobro da atual.
O ex-premiê conservador, agora recebendo uma segunda chance de governar a nação, prometeu também melhorar as relações com a China, que ele definiu como estratégicas, mas mantendo-se firme a respeito da soberania sobre ilhas controladas pelo Japão, mas reivindicadas pela China.
Abe defendeu um abrandamento "ilimitado" da política monetária pelo banco central japonês, e prometeu elevar os gastos públicos para tirar a terceira maior economia mundial da sua quarta recessão desde 2000, além de combater a persistente deflação.
"Foi raro que a política monetária fosse o foco da atenção em uma eleição, mas houve um forte apoio do público à nossa visão", disse Abe, de terno preto e gravata rosa, em sua primeira entrevista coletiva pós-eleitoral. "Espero que o Banco do Japão leve isso em conta (na sua próxima reunião de política monetária, na semana que vem)."
A emissora pública NHK disse que o Partido Liberal Democrático, de Abe, obteve 294 das 480 vagas na câmara baixa do Parlamento. O partido Novo Komeito conseguiu 31 vagas. Coligados, os dois partidos superam a maioria de dois terços necessária para derrubar decisões do Senado, onde nenhum partido tem maioria.
Segundo a imprensa local, o comparecimento às urnas ficou ligeiramente acima de 59 por cento, o menor do pós-Segunda Guerra Mundial.
As políticas de segurança e as tensas relações do Japão com seus vizinhos foram outros temas importantes na campanha de Abe, e o líder conservador reiterou que não há dúvida de que o Japão é o dono das ilhas disputadas com Pequim no mar do Leste da China. Continuação...

