Julgamento do mensalão chega ao fim e Barbosa diz que foi "proeza extraordinária"

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012 21:12 BRST
 

Por Ana Flor

BRASÍLIA, 17 Dez (Reuters) - O julgamento da ação penal do mensalão foi concluído nesta segunda-feira após 53 sessões ao longo de quase cinco meses e, com 25 dos 38 réus do primeiro dia de julgamento condenados, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator do caso, Joaquim Barbosa, disse ter sido uma "proeza extraordinária" sua realização.

Ao colocar fim ao julgamento iniciado em 2 de agosto, quando a Corte ainda era presidida por Carlos Ayres Britto, Barbosa lembrou que recebeu a missão de relatar o caso ainda em 2005, ano em que foi denunciado o escândalo de compra de apoio político no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Que tenhamos conseguido terminar esta ação já é uma proeza extraordinária", disse Barbosa ao final da sessão.

Barbosa disse que espera que um processo deste tamanho não chegue mais ao STF, por imobilizar a pauta da Corte, e diz que uma lição é que não deve haver foro privilegiado.

Ele, considerado o mais duro dos ministros nas penas e pedidos de condenação, falou ao final das dificuldade de condenar réus.

"Condenar não é fácil, em especial condenar a penas privativas de liberdade", disse o presidente da Corte. "Um julgamento desses acarreta noites sem dormir, horas extensas de trabalho", acrescentou ele.

Dos 38 réus incluídos na ação penal por envolvimento no esquema de desvio de dinheiro público para compra de apoio parlamentar no primeiro mandato do governo Luiz Inácio Lula da Silva, o Ministério Público Federal pediu a absolvição de dois: o ex-ministro Luiz Gushiken e Antônio Lamas.

Já nos primeiros dias de julgamento, o empresário Carlos Alberto Quaglia, representado por um defensor público, teve seu caso enviado para a primeira instância, por erros assumidos pelo próprio Supremo no seu caso.   Continuação...