19 de Dezembro de 2012 / às 11:47 / 5 anos atrás

IPCA-15 acelera a 0,69% em dezembro e fecha ano com alta de 5,78%

Um cliente observa produtos de carne no Mercado Municipal em São Paulo. Os preços de despesas pessoais e alimentos impulsionaram o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) para a maior alta em mais de um ano e meio em dezembro, fechando 2012 bem acima do centro da meta oficial, o que deve manter o Banco Central ainda mais vigilante no início de 2013. 4/2/2012Nacho Doce

Por Camila Moreira

SÃO PAULO, 19 Dez (Reuters) - Os preços de despesas pessoais e alimentos impulsionaram o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) para a maior alta em mais de um ano e meio em dezembro, fechando 2012 bem acima do centro da meta oficial, o que deve manter o Banco Central ainda mais vigilante no início de 2013.

De acordo com dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a prévia da inflação oficial no país subiu 0,69 por cento em dezembro, maior avanço desde maio de 2011 (+0,70 por cento), ante alta de 0,54 por cento em novembro.

Com isso, o indicador fechou o ano com avanço de 5,78 por cento, acima do centro da meta do governo, de 4,5 por cento pelo IPCA, mas abaixo do acumulado de 2011 (+6,56 por cento). Nos 12 meses encerrados em novembro, a alta era de 5,64 por cento.

O resultado ficou um pouco acima da expectativa de analistas. Pesquisa realizada pela Reuters apontou que o indicador subiria 0,66 por cento em dezembro ante novembro, de acordo com a mediana das previsões de 32 analistas.

O atual cenário de inflação não altera, por enquanto e segundo analistas, a perspectiva de que a Selic deve permanecer por um período prolongado na atual mínima histórica de 7,25 por cento ao ano. Entretanto, deve deixar o BC em modo de alerta.

"O BC vai ficar atento, e se a inflação começar a se desgarrar muito, vai ter de agir de alguma forma. O problema será o momento disso", avaliou o economista da Austin Rating Rafael Leão.

Para ele, o IPCA deve encerrar 2012 com alta de 5,7 por cento, ante 6,5 por cento em 2011, e uma mudança na política monetária só aconteceria no segundo semestre de 2013.

O Relatório Trimestral de Inflação, a ser divulgado na quinta-feira, deve adotar o mesmo tom visto na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), segundo a economista-chefe da Icap, Inês Filipa.

"Isso no sentido de que os riscos estão menores, que haverá convergência da inflação. (O relatório) vai tentar manter o tom bastante otimista com relação ao cenário inflacionário", disse ela.

ALIMENTOS

Um dos fatores que deve ajudar o cenário inflacionário no próximo ano é a desaceleração dos preços dos alimentos. O grupo alimentação e bebidas foi o que teve maior variação no acumulado do IPCA-15 em 2012, com alta de 9,84 por cento.

"Acreditamos que vai haver uma inflação mais baixa ano que vem em relação ao que terminou este ano, mesmo com atividade maior. Isso porque o que foi visto no setor de alimentos não deve se repetir e porque o salário mínimo não terá reajuste tão forte", disse Leão, da Austin Rating.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou nesta semana que a alta dos preços vai perder força em 2013 devido, entre outros motivos, ao menor reajuste do salário mínimo previsto para 2013.

Os preços dos alimentos chegaram a apresentar algum alívio recentemente, após pressionaram com força os índices durante meses por conta dos efeitos da seca em regiões produtoras de grãos nos Estados Unidos.

Mas em dezembro, o grupo alimentação e bebidas acelerou para uma alta de 0,97 por cento no IPCA-15, ante 0,83 por cento em novembro, pressionados, segundo Leão, pela sazonalidade. Entre os destaques no resultado do mês estão os preços de frango (de 1,43 para 4,16 por cento), leite (1,39 para 2,03 por cento) e frutas (de 0,43 para 1,27 por cento).

Já o grupo Despesas Pessoais foi o que apresentou a maior alta e maior aceleração em dezembro, subindo 1,10 por cento, após avanço de 0,30 por cento em novembro. Esse grupo encerrou o ano com alta de 9,40 por cento.

Destacaram-se em dezembro o aumento dos salários dos empregados domésticos (0,82 por cento), além de excursão (12,15 por cento) e cigarro (2,66 por cento).

Reportagem adicional de Silvio Cascione

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